sexta-feira, 30 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Criados de salário mensal

Nos dias correntes, quando a sociedade brasileira alcança ajustes trabalhistas para os empregados domésticos, categoria que ainda não havia conquistado vantagens que outras já possuíam, é interessante observar as práticas que cercavam a contratação de serviços dos criados na Cachoeira do século XIX.
Há no acervo documental do Arquivo Histórico um encadernado do Fundo Câmara Municipal, intitulado Registro de Contratos de Criados (CM/S/SE/RCC-001), onde se pode tomar conhecimento dos tipos de criados, dos contratantes, ou patrões, dos serviços oferecidos e dos proventos a que faziam jus pelo cumprimento das tarefas próprias das suas funções, como "serviço de minha casa", "serviço de cozinha", "serviço de condução de malas do correio", "serviço doméstico", "serviço doméstico de cozinha e engomar", "serviço de cozinheiro", "serviço de aguadeiro", "serviço de vendedor de água" e outros mais do gênero. O referente livro foi aberto em 10 de janeiro de 1889 pelo presidente da Câmara, Francisco Gomes Porto.

CM/S/SE/RCC-001

Na abertura do livro consta o seguinte:
Registro de Contractos - de Criados - Este livro servirá para registro dos contractos, notas e observações dos Criados que tomarem, mediante salario mensal, emprego de cocheiro, copeiro, cosinheiro, criado de servir, ama de leite e ama secca, conforme a postura desta Camara approvada pela lei Provincial n.º 1706 de 13 de Dezembro de 1888. Todas as folhas são nunmeradas e por mim rubricadas com o appelido - Porto - de que uzo, e no fim contem o competente termo de encerramento. Paço da Camara Municipal da Cid.e da Cachoeira 10 de Janeiro de 1889. (Assinatura) O presidente, Francisco Gomes Porto.

Termo de Abertura do livro



sexta-feira, 16 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

São João, o patrono da Cachoeira

Há dentre os preciosos documentos do Arquivo Histórico do Município um encadernado (CM/S/SE/RE-001) da antiga Câmara Municipal que traz o registro das correspondências expedidas pelo escrivão e que remonta ao período da constituição da Vila Nova de São João da Cachoeira. Trata-se de carta dirigida a Sua Majestade D. João VI pela Câmara e remetida pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino em 26 de agosto de 1820.
O teor do documento dá o motivo pelo qual foi escolhido o nome da Vila Nova de São João da Cachoeira:

Senhor O Juiz pella Ordenação vereadores, e officiaes da Camara da Villa Nova de São João da Caxoeira, Prostrados humildemente aos Pés do Augusto Throno de Vossa Magestade Fidelicima tem a Honra de amnunciar que em execução das Reaes Ordens de Vossa Magestade, e Ouvidor e Corregedor desta Commarca Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa no dia sinco do corrente mes de Agosto procedeu ao Acto Solemne da ereção desta Villa. = A Camara por si, em nome do Povo penetrada do mais vivo reconhecimento, egratidão pela Alta Mercê que Vossa Majestade Inclinando seus Reaes Ouvidos as Submissas e reverentes suplicas dos habitantes desta Villa, se dignou liberalizar roborando Sua Majestade esta Graça com aotra especial deDar a esta sua Villa por Patrono o Grande Santo do Seu Immortal Nome, rendem as homenagens de sua fiel vassalagem.

Retrato de D. João VI - Simplício Rodrigues de Sá
Imagem unicap-cursodeteologia.blogspot.com


A localização deste documento permite que afirmemos com real conhecimento de causa porque nosso Município foi agraciado com o nome de Vila Nova de SÃO JOÃO da Cachoeira.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

5 de agosto - instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira e aniversário de criação do Arquivo Histórico

O dia 5 de agosto é muito importante para a história de Cachoeira do Sul. Nesse dia, há 193 anos, era solenizada a instalação do quinto município do Rio Grande do Sul, denominado como Vila Nova de São João da Cachoeira. Para o ato, protagonizado pelo Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina, Dr. Joaquim Bernardino de Sena Ribeiro da Costa, foram convidados o povo e os homens probos da Vila, cujas assinaturas ficaram registradas no livro n.º 1 da Câmara (CM/OF/TA-008).
Naquele dia, como reza a tradição portuguesa, foi levantado o Pelourinho e eleitos os primeiros vereadores: João Soeiro de Almeida e Castro (Presidente), Joaquim Gomes Pereira e Francisco José da Silva Moura. Também foram escolhidos o procurador da Câmara, Antônio Xavier da Silva, o Tesoureiro, Francisco de Loreto, o 1.º Tabelião e Escrivão da Câmara, Joaquim dos Santos Xavier Marmello, e o 2.º Tabelião e Escrivão dos Órfãos, Manoel Alves Ferrás.

Livro n.º 1 da Câmara com registro do Auto de Criação da Vila Nova de S. João da Cachoeira
- CM/OF/TA-008 - acervo do Arquivo Histórico
No mesmo dia 5 de agosto, no ano de 1987, escolhido para marcar a data magna de Cachoeira do Sul, foi criado o Arquivo Histórico do Município com o objetivo principal de guardar, preservar e disponibilizar para pesquisas o acervo documental produzido pelas administrações municipais desde a criação da Vila Nova de São João da Cachoeira. O Arquivo Histórico também guarda as coleções dos jornais locais, sendo depositário das edições do Jornal do Povo e jornal O Correio.
Há 26 anos o Arquivo Histórico presta relevantes serviços à comunidade cachoeirense, atendendo também a pesquisadores que vêm dos mais variados locais do Estado, pois Cachoeira foi berço de muitos municípios que se formaram em suas antigas dimensões geográficas.
Parabéns, Cachoeira do Sul! Parabéns, Arquivo Histórico!

Mapa da Província de S. Pedro do Rio Grande do Sul em 1822
- acervo Museu Municipal

sexta-feira, 2 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Impostos sobre supérfluos na Intendência de Cachoeira

Com o pomposo nome de "impostos sumptuários", uma página do livro etiquetado com a inscrição "Receita", do conjunto de documentos da antiga Intendência Municipal da Cachoeira, registra os comerciantes que em 1893 pagavam impostos pelo oferecimento de produtos e serviços relativos ao luxo, ou seja, supérfluos. Estavam, dentre estes serviços, a venda de bilhetes, apresentações artísticas e a exploração de bilhares.


Lançamento dos impostos sumptuários -
Livro IM/CO/DRD/RD-001

Os cidadãos que pagaram esses impostos aos cofres da Intendência em 1893 foram:
- Pedro Martins Lopes, por dois bilhares
- Felicio de Mello, pela venda de bilhetes da loteria do Estado
- Isidoro Neves da Fontoura, pela casa onde vende bilhetes da loteria do Estado
- João Silva, pelos seus dois bilhares
- Ismael Alves d'Almeida, por vender bilhetes da loteria do Estado e outros
- Melchiades Francisco da Silva, pela venda de bilhetes do Estado
- João da Matta, pela venda de bilhetes do Estado e outros
- Falconiére & Guastavino, imposto por um espetáculo
- Francisco Negroni, por três espetáculos da Companhia Falconiére
Os impostos sumptuários renderam à Intendência, naquele ano, a cifra de 285.000 réis.