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Remodelação da Igreja Matriz

As grandes obras de saneamento da cidade, concluídas em 1925, e a onda de embelezamento urbano que as acompanhou, motivaram as lideranças religiosas e comunitárias a promoverem a remodelação da Igreja Matriz. Com o belo Château d'Eau chamando a atenção no centro da Praça Almirante Tamandaré (hoje Praça Dr. Balthazar de Bem), a velha Matriz com seu aspecto despojado e ainda conservando sua originalidade, deve ter parecido superada diante de tantas novidades. A grande liderança que concluiu as obras urbanas, Dr. João Neves da Fontoura, também incentivou os paroquianos a procederem ao embelezamento da Igreja Matriz, sugerindo a criação de uma comissão que se encarregasse de tal empreitada. Château d'Eau e Igreja Matriz antes da remodelação - Fototeca Museu Municipal A comissão foi constituída dentre membros da paróquia e apoiadores das obras, tendo como presidente o Coronel Virgilio Carvalho de Abreu, vices Achilles Figueiredo e Cacilio Menezes, 1.º secretário Assis Fer...

Primeira professora nomeada em Cachoeira

Uma das datas mais lembradas do mês de outubro é o Dia do Professor, celebrado em 15. Ainda que os professores enfrentem diariamente duros desafios e a sociedade não volva para eles o olhar de respeito que era regra no passado, o valor de sua função seguirá inquestionável.  A história da educação no Rio Grande do Sul é um capítulo à parte. Foi tardia tal qual a ocupação definitiva do território pelos portugueses. E para complicar mais a sua efetiva aplicação, o estado sofreu durante 10 longos anos as agruras da Revolução Farroupilha, época em que nada, ou quase nada, funcionou. Para provar esta situação, os anais da história mostram que o exame a que foi submetida a primeira candidata à professora pública da Vila Nova de São João da Cachoeira só foi ocorrer em 22 de outubro de 1838, 17 anos após a criação das primeiras aulas públicas. Homens na profissão já havia, como comprova a ata da sessão da Câmara Municipal, realizada naquele dia 22 de outubro, e que relata o exame a...

Parece, mas não é...

Os jornais locais do começo do século XX traziam diferentes assuntos para os seus leitores, até porque uma cidade interiorana não produzia notícias suficientes para encher uma edição. Poemas, artigos, novidades do comércio e da indústria, chegadas e partidas de cachoeirenses e visitantes, conselhos médicos, anúncios comerciais, forasteiros oferecendo toda sorte de produtos e serviços, festas, casamentos, variadas notas fazem dos exemplares d' O Commercio uma deliciosa leitura. Na edição do dia 30 de outubro de 1901, à página 2, um cidadão que se assinava Urbano Duarte publicou um texto que deve ter produzido boas discussões e até risadas entre os leitores. Ei-lo: O Comércio, 30/10/1901, p. 2 Os Nomes Si o nome é uma voz com que se dão a conhecer as cousas, com certeza não é uma voz com que se dêm a conhecer as pessoas. Olhem que parece mesmo de proposito! Vou tratar com um Cordeiro , já sei que me sae um sujeito rispido e raivoso; travo conhecimento com fulano de t...

E.M.E.F. Dr. Baltazar de Bem - 60 anos

Há 60 anos a administração do município inaugurava o Grupo Escolar Dr. Baltazar de Bem, instituição que posteriormente se transformou em uma das maiores escolas da rede municipal de ensino. E.M.E.F. Dr. Baltazar de Bem - foto www.escolabaltazardebem.blogspot.com O Jornal do Povo,  em sua edição do dia 28 de setembro de 1958, primeira página, publicou que A Municipalidade Inaugura Hoje Novas Escolas , referindo que três estabelecimentos de ensino seriam abertos, sendo um em Agudo, um em Dona Francisca e o terceiro na Vila Marina, periferia da cidade de Cachoeira do Sul: Jornal do Povo  de 28/9/1958, p. 1 Na Vila Marina . Ainda hoje, domingo, às 16 horas, nesta cidade, a Prefeitura procederá à inauguração do G.E. "Dr. Baltazar de Bem", na Vila Marina, cujo prédio, ostentando requisitos em instalações e comodidades, alvo já de uma reportagem dêste jornal, será entregue à população escolar dessa populosa zona. As solenidades inaugurais contarão com a presença ...

Anulação de eleição

O  Brasil está às portas de importante eleição. Momentos como este, fundamentais para o exercício da democracia e para definição dos rumos da política, nunca foram amenos. Em todas as instâncias governamentais as disputas acirradas muitas vezes ganharam contornos violentos e dramáticos. Alguns contendores, embora este não devesse ser o termo empregado, melhor seria dizer disputantes de cargos públicos, fazem uso de subterfúgios e artimanhas para garantirem a vitória nos pleitos, tanto nos dias que correm como nos que já fazem parte do passado. Cachoeira, no começo do século XX, quando a política local era fortemente dominada pelo Partido Republicano Rio-Grandense - PRR e, logicamente, com a devida oposição, também foi palco de situações pouco democráticas. A imprensa da época tinha órgãos representativos de partidos e bandeiras políticas e as páginas dos seus respectivos jornais estampavam francas e diretas acusações. As lideranças faziam uso da imprensa para o ataque e a defe...

Mulher que desconhece nome do marido

CM/S/SE/CR-Caixa 21 A documentação do Arquivo Histórico, como já dito em outras oportunidades, oferece um universo de possibilidades, seja no campo da informação histórica, na descrição dos espaços e vivências dos cidadãos, bem como na forma de interação com o meio e com os indivíduos, o que traduz, em suma, os traços culturais do lugar em que foi produzida. Um requerimento apresentado em 14 de março de 1887 traz um conteúdo no mínimo inusitado, uma vez que a requerente, uma alemã de nome Guilhermina [Foese?], solicita que seja verificado no registro de casamentos acatólicos (protestantes) qual o nome de seu marido: Illmo. Sr. Presidente e mais Vereadores da Camara Municipal da Cachoeira Diz Guilhermina Foese, residente na ex-Colonia de Santo Angelo, que tendo se propalado ser a Suppte. - que é Protestante - casada com Henrique ou como outros dizem Luiz Kazulke, preciza a bem de seus direitos, que revendo o respectivo Secretario d'esta Camara o registro dos cazam...

Tabela das Passagens de Rios

As necessárias reformas na Ponte do Fandango, neste ano de 2018, há tanto pleiteadas, têm feito os cachoeirenses conviverem com a problemática de travessia do rio Jacuí através de balsas. Os humores do rio, as mudanças climáticas típicas de inverno rigoroso, as questões burocráticas e a logística da travessia por este meio de transporte têm dominado as conversas e as notícias.  Poucas pessoas se dão conta de que cruzar o Jacuí e seus tributários tem sido um desafio de séculos. Cachoeira se aproxima rapidamente de seus 200 anos de história oficial, descontados aí os primeiros tempos de ocupação a partir de 1750, quando o Jacuí dominou (e segue dominando) a cena, uma vez que a cidade se desenvolveu a partir de sua existência. Como a navegação comercial desapareceu da vida corrente, por vezes esquecemos do quanto ela já foi preponderante e de que justamente por isto necessitava de disciplinamento para funcionar de forma que atendesse usuários e prestadores dos serviços. Na ...