O jornal O Commercio , edição de 21 de dezembro de 1910, talvez imbuído do espírito natalino, publicou uma lenda húngara, na verdade uma parábola que tenta explicar a miséria no mundo. Eis o texto: ===== A pereira da Miséria ===== Em um logar denominado Vico, existia uma mulher, chamada Miséria, que esmolava de porta em porta, e parecia tão velha como o peccado original. A mulher Miséria habitava em companhia de um cão, chamado Tarro, em um immundo casebre, sem moveis, tendo um bastão e uma saccola sempre vazia. É verdade que tinha tambem um pequeno quintal, com uma unica arvore, uma pereira tão formoza que não tinha rival, a não ser no paraizo terrestre. O unico prazer que neste mundo tinha Miséria era comer os fructos de sua pereira, mas, desgraçadamente, os rapazes lhe roubavam alguns. Quando ella sahia a pedir, Tarro a acompanhava, menos no outomno, que ficava elle para guardar a casa e a pereira, porém com grande sentimento, pois a velha e o cão se amavam com amôr ...