A educação no Rio Grande do Sul foi das mais tardias no Brasil. As longas lutas pelo estabelecimento de fronteiras que os rio-grandenses enfrentaram, relegaram a segundo plano investimentos em infraestrutura e principalmente em educação.
Em Cachoeira, a instituição da primeira aula pública data de 1821, mas o funcionamento efetivo ainda demoraria alguns anos.
A Câmara Municipal da Vila Nova de São João da Cachoeira nomeava regularmente comissões para inspecionar o andamento de serviços, dentre estes, a instrução pública.
![]() |
| CM/S/SIP/Pareceres - Caixa 23 - 9/1/1834 |
![]() |
| CM/S/SIP-Pareceres - Caixa 23 - 10/4/1878 |
A aula pública do sexo masculino era regida pelo professor José Affonso Taborda e, no dia da inspeção, contava com 56 alunos, sendo 14 faltantes. A aula foi encontrada em ordem, sendo porém a sala bastante acanhada para o número de alunos e sem o necessário asseio "devido ao estado ruinoso da casa". O professor estava à procura de outra casa que melhor pudesse acomodar a aula. Dentre as carências, a comissão apontou a falta de papel para escrever. Nas matérias desenvolvidas, notou adiantamento dos alunos em doutrina, leitura em prosa e verso e aritmética. Em escrita, análise gramatical e geografia os alunos demonstraram atraso.
A aula pública do sexo feminino era regida pela professora D. Maria Luiza e ocupava uma sala com boas acomodações. A comissão assistiu à lição, observando que as alunas estavam adiantadas em escrituração, geografia da Província e leitura de verso, e pouco atrasadas em aritmética, análise gramatical e leitura de prosa, sendo que nesta "deixaram de ler com a virgulação necessária."
Como se depreende dos documentos encontrados, a escola pública há muito enfrenta problemas da mesma natureza, confirmando que o professor, mesmo desvalorizado, é o grande herói desta história.
Parabéns, professor, pelo transcurso de seu dia!
MR


Comentários
Postar um comentário