segunda-feira, 13 de abril de 2015 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Cuidados com Sangas e Valos na Cachoeira de 1849

O cuidado com o meio ambiente não é uma prática nova, embora se saiba que fosse atitude esparsa no passado.
José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, é sabidamente o primeiro e grande personagem da nossa história com preocupações do gênero, e isto remonta ao primeiro quartel do século XIX!
Em razão disto, o Edital abaixo reproduzido, que está preservado no acervo do Arquivo Histórico, revela atitude de bom senso e de preocupação com o meio ambiente na Cachoeira de 1849!
A nossa zona urbana está assentada em terreno cortado por muitas sangas e valos, oferecendo estes acidentes naturais barreiras ao desenvolvimento urbano. Vencer tais barreiras sem descuidar da preservação ambiental é um desafio ainda hoje. E o interessante do Edital é que ele dispõe sobre obras de aterro, exigindo que uma cobertura vegetal seja feita, em uma clara demonstração de que as autoridades do passado sabiam da necessidade de tratar com vegetação terrenos suscetíveis de desmoronamento.
Eis o texto do documento, cujos signatários foram o então Vereador Presidente da Câmara, Dr. José Pereira da Silva Goulart, médico, e o Secretário Fabiano Pereira da Silva:

CM/OF/Editais/Caixa 6 - 13/2/1849
A Camara Municipal desta Villa, manda faser publico, para conhecimento de quem convier fazer pelo menor preço, o aterro de 250 braças de vallos existentes dentro desta Villa, sendo 160 braças nos vallos da Aldeia, 16 braças nos da bica, e 74 braças nos que existem na estrada que vai para o Amorim; devendo quem se propozer faser dito aterro, plantar de leiva a extenção de 60 braças de vallo que partem da estrada que vai para o Cemiterio, até a sanga onde se conclue dito vallo, e neste lugar deverá plantar húa forte estacada de salso, para aqual estacada proporá preço separado; devendo aquem convier apresentar suas propostas nesta Camara, té o dia vinte edois do corrente mez; não excedendo estas propostas, para o aterro de todos os vallos, áq.ta de dusentos equarenta e trez mil reis, importancia designada para dita obra. E para que chegue ao conhecimento de todos, se mandou lavrar o presente edital. - Paço da Camara Municipal da Villa da Cachoeira, aos treze dias do mez de Fevereiro de 1849. - Dor. Je. Pereira da Silva Goulart Vor. Prezidente

Os editais eram afixados em local de grande afluência de público, sendo a maneira encontrada para que todos pudessem ter acesso ao disposto no documento e cumprir com os preceitos legais. Hoje, mesmo que de forma reduzidíssima em razão da multiplicidade das mídias, ainda há quem faça uso deste tipo de divulgação. Um bom exemplo disto são os nossos decantados anúncios fúnebres, que não são editais, mas da mesma forma atendem ao preceito de atingir o maior número possível de pessoas na divulgação de seus conteúdos.

2 comentários:

Hugo Vieira da Cunha Vieira da Cunha disse...

Que espetáculo Mirian, vira e meche e ele reaparece, nosso velho e conhecido ancestral, Dr. Goulart, desde ontem campereava teu blog, obrigado !

Mirian Ritzel disse...

Pois é, o Dr. Goulart definitivamente fez história! Abraço.

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