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Prédio antigo a perigo

Todos os lugares, em sua conformação urbana, lidam com questões que envolvem a segurança dos seus moradores não somente ao que tange à sua integridade enquanto pessoas, mas também quanto aos ambientes em que elas circulam e desenvolvem suas atividades. E tais questões sempre foram desafios às autoridades, exigindo a elaboração de códigos urbanos que as regessem, determinando posturas do aparato público e dos cidadãos.

Interessante o conteúdo de um ofício datado de 20 de janeiro de 1890, período em que o município de Cachoeira era regido por uma junta administrativa, denominada Junta Municipal, em que está expressa a preocupação dos administradores com um prédio antigo localizado na Rua 7 de Setembro, cujo estado de ruínas demandava atenção de todos. 

Ofício assinado pelos membros da comissão - 20/1/1890
(JM/OM/Ofícios - Caixa 1)
Para analisar a questão e emitir parecer a fim de que os integrantes da Junta Municipal tomassem as providências necessárias, foi nomeada uma comissão composta por João d'Araujo Bastos e Manoel Gomes Pereira*. Eis o conteúdo do ofício e o resultado do exame procedido pela comissão:

Cachoeira 20 de Janeiro de 1890

Sessão de 31 de Janeiro


Nos abaixo assignados nomeados, por essa Adminstração para examinar o predio sito a rua 7 de Setembro, esquina da rua Conde de Porto Alegre. Respondemos que hoje de accordo examinamos o dito predio e de facto se acha em grande ruinas, do que julgamos necessidade de completa demolição, visto que, já foi arriado o espigão do lado do sul e retirado o material, e com este trabalho ficou desloucada a linha da comieira e os freixaes, ficando assim muitas paredes fora de prumo, que será enivitavel a quéda do resto do predio, do que resultará o prejuizo de materiaes e alguma vida. Pensamos ter cumprido a missiva que nos confiarão.

                                                                Saude e Fraternidade

Aos Cidadãos Administradores
d'este Municipio.

João d'Araujo Bastos
Manoel Gomes Pereira

A Cachoeira de 1890, por ser menor e menos complexa, fiscalizava e resolvia as questões urbanas com aparente maior rapidez. O prédio em ruínas, referido no ofício, não foi identificado. Pode ter cedido espaço para uma das casas que ocupam hoje os quadrantes da Rua 7 de Setembro com a Conde de Porto Alegre...

*Manoel Gomes Pereira foi, mais tarde, o construtor do prédio do primeiro Hospital, hoje sede da Escola de Saúde do HCB.

(MR)

Comentários

  1. Ainda sobre Manoel Gomes Pereira:

    Nasceu possivelmente no ano 1864 em Avintes, Portugal, às margens do Rio Douro. Faleceu em Cachoeira dia 20.10.1917 aos 53 anos, solteiro, causa: "sclerose cardio-renal".
    Tinha um filho de criação de nome Arthur Rodrigues da Silva, conforme o jornal O Commércio de 24.10.1917, páginas 2 e 3.

    Dois anos antes, nas então tradicionais comemorações do Dia do Trabalho, "o conhecido orador popular, Tenente Manoel Gomes Pereira", sócio fundador da Sociedade Beneficente União Operária 1º de Maio "fez uso da palavra, discorrendo estusiasticamente sobre a data, e que alongou-se em várias considerações, sendo muito aplaudido e cumprimentado ao terminar." (jornal O Commércio de 05.05.1915, página 2)

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  2. Hilberto, belas contribuições. Deves ter "alfarrábios" preciosos, a exemplo dos que também coleciono do nosso Comércio. Abraço.

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  3. Muito boa a contribuição do Hilberto.Qdo o Marcelino Gonçalves da Fonseca construiu a casa da Sete esquina Conde, concluída em 1915,o fez após adquirir um terreno que estendia -se até a Saldanha. É uma hipótese.

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  4. Foi o que pensei, Ione Carlos. Porém, sem meios para afirmar, não levantei a possibilidade. A casa do Marcelino é de 1914.
    Mirian Ritzel

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