Pular para o conteúdo principal

Câmara de Vereadores e Arquivo Histórico: uma parceria em prol da memória histórica II

No dia 21 de novembro de 2016, quando o Arquivo Histórico ocupou a Tribuna Popular da Câmara de Vereadores para agradecer o apoio recebido da Casa para a recuperação do Livro CM/OF/A-005, deixou outra solicitação ao Presidente Homero Tatsch e seus pares: o patrocínio dos trabalhos de restauração da primeira planta da Cidade da Cachoeira, obra original de Johann Martin Buff, entregue ainda em 2008 à restauradora Naida Maria Vieira Corrêa, da empresa Restauratus - Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis Ltda., de Porto Alegre.




As servidoras do Arquivo Histórico com o Vereador Presidente Homero Tatsch

A planta é a primeira representação cartográfica do que era Cachoeira em 1850 e desde a instalação do município, em 5 de agosto de 1820, ter um registro da conformação física da Vila, ou seja, a sua divisão em terrenos, ruas, quadras e praças era uma necessidade, pois uma das atribuições dos vereadores da então Câmara Municipal era o de demarcar terrenos e ruas, esquadrinhar e conceder licenças para construções. Mas como fazê-lo sem uma representação do recinto urbano? Depois de muitas solicitações ao governo da Província, finalmente Johann Martin Buff, um agrimensor e engenheiro alemão radicado no Brasil, foi encarregado de executar o serviço. Chamadas públicas foram feitas aos cidadãos para que apresentassem seus títulos de propriedades e assim a planta foi sendo elaborada e junto com ela um cadastro de ruas e terrenos de Cachoeira com seus respectivos proprietários.

A planta da Cidade da Cachoeira, forma adotada pelo agrimensor para denominar o trabalho, sobreviveu à passagem do tempo, foi salva de uma fogueira, mas não passou incólume e chegou aos nossos dias em estado de degeneração quase total. Para permitir que este precioso documento siga cumprindo com seu papel de retratar o que hoje pode ser considerado o centro histórico da cidade, o Arquivo Histórico solicitou à Câmara de Vereadores o custeio do restauro, orçado em R$ 5.750,00.









Cabe ao Arquivo Histórico, mais uma vez, através de sua equipe, agradecer a atenção que a Câmara de Vereadores, liderada pelo atual Presidente Homero Tatsch, tem dispensado às demandas do Arquivo Histórico, esperando poder consolidar esta parceria que já foi vitoriosa na restauração do Livro CM/OF/A-005 e que restaurará a primeira planta da Cidade da Cachoeira. Uma vez restaurada, a planta então poderá retornar ao Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima, onde sempre foi considerada um dos mais importantes objetos do acervo que retrata nossa história.

(MR)

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Casa da Aldeia: uma lenda urbana

Uma expressão que se tornou comum em nossos dias é a da "lenda urbana", ou seja, algo que costuma ser afirmado pelas pessoas como se verdade fosse, no entanto, paira sobre esta verdade um quê de interrogação!  Pois a afirmação inverídica de que a Casa da Aldeia é a mais antiga da cidade é, pode-se dizer, uma "lenda urbana". Longe de ser a construção mais antiga da cidade, posto ocupado pela Catedral Nossa Senhora da Conceição (1799), a Casa da Aldeia, que foi erguida pelo português Manoel Francisco Cardozo, marido da índia guarani Joaquina Maria de São José, é mais recente do que se supunha. Até pouco tempo, a época tida como da construção da casa era dada a partir do requerimento, datado de 18 de abril de 1849, em que Manoel Francisco Cardozo: querendo elle Suppl. Edeficar umas Cazas no lugar da Aldeia ecomo Alli seaxe huns terrenos devolutos na Rua de S. Carlos que faz frente ao Norte efundos ao Sul fazendo canto ao este com a rua principal cujo n...

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...