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Devastação das matas ciliares

Cachoeira do Sul foi castigada pelas intempéries como nunca nos anos de 2015 e 2016. Enchentes, vendavais, granizo... fenômenos que desafiam o homem e ressaltam a sua impotência diante da força da natureza. 

Da mesma forma que o homem é sujeito das intempéries, ele também é agente de desajustes ambientais. E a preocupação com as ações humanas sobre a natureza, ao contrário do que possa parecer, não é própria dos tempos atuais, mas motivo de inquietação para muitos que ao longo dos tempos tiveram conhecimento e sensibilidade para perceber os efeitos funestos de determinadas práticas. Foi assim com José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência e patrono da principal praça de Cachoeira do Sul, com o conterrâneo Ramiro Fortes de Barcellos e com Antônio Augusto Borges de Medeiros, para citar algumas personalidades históricas que viram o meio ambiente com olhar de cuidado.

Borges de Medeiros, grande líder na política rio-grandense, como se vê pela circular que remeteu aos dirigentes municipais em 6 de maio de 1901, demonstrava grande percepção da importância das matas ciliares, o que para Cachoeira sempre foi fundamental, uma vez que a cidade tem no rio Jacuí uma fonte de riqueza imprescindível. As recomendações que fez, apesar da distância temporal, ainda são necessárias:


Circular n.º 742, de 6/5/1901
- IM/GI/DA/CR - Cx. 1

... recommendo-vos que prohibaes o córte de madeira nas florestas marginaes dos rios navegaveis e seus affluentes, dentro da faixa de 7 braças contadas do ponto médio das enchentes ordinarias para o interior, mesmo em mattos de propriedade privada, pois essa faixa é considerada de servidão publica, nos termos das leis civis em vigor, estando, portanto, o seu uso subjeito á fiscalisação do poder publico.

De 1901 a 2016, a legislação ambiental evoluiu muito, as discussões tornaram-se frequentes, inclusive em âmbito internacional, e muitas organizações civis foram criadas visando a proteção dos recursos naturais. No entanto, pouco ou quase nada resolveram... Localmente o rio Jacuí, apesar dos esforços de alguns e da legislação que deveria ser cumprida, já perdeu muito das suas florestas marginaes. Às gerações futuras cabe o papel de proteger o maior manancial hídrico, garantindo que ele siga sustentando e dando vida à Princesa do Jacuí.

Rio Jacuí - foto Robispierre Giuliani

MR

Comentários

  1. Grata Mirian Ritzel! Maravilhada em ler um documento que demonstra a preocupação do AABM com a preservação da natureza!

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