Pular para o conteúdo principal

O sonho de um museu

O que poucas pessoas sabem é que o sonho de dotar Cachoeira do Sul de um museu que resguardasse a sua memória era antigo! Algumas pessoas da comunidade entendiam que um município tão rico em fatos, feitos e personagens merecia um espaço apropriado para preservar e difundir sua história.

Algumas iniciativas foram surgindo ao longo do tempo, principalmente em escolas, mas não prosperavam e a cidade corria riscos de perder documentos e acervos importantes, afinal as famílias desaparecem na passagem do tempo e com elas também muitos itens de suas memórias deixam de ser preservados.

Quatro anos antes da criação do Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima, em documento de 1.º de abril de 1974, o vereador Alberto José Machado fez uma indicação ao plenário da Câmara para que propusesse ao prefeito que fosse estudada a possibilidade de criar um museu, dando como sugestão o aproveitamento do prédio da antiga Estação Ferroviária. Quem sabe não teria sido a redenção daquele bem de valor inestimável que muitos até hoje lamentam o desaparecimento? Um ano depois a velha estação iria ao chão, sepultando história e histórias...

Coleção Claiton Nazar

Coleção Marô Silva


Fundo Prefeitura Municipal - sem indexação

A argumentação do vereador foi a seguinte:

CONSIDERANDO que Cachoeira do Sul, não possui, ainda, um Museu Municipal;
CONSIDERANDO que a criação e instalação de um órgão desta natureza traria grandes benefícios para a nossa Comunidade;
CONSIDERANDO que, desta forma, o Poder Público estaria propiciando o estudo dos nossos valores históricos, contribuindo, assim, para o aprimoramento cultural do povo;
CONSIDERANDO que o prédio da Rede Ferroviária Federal - antiga Gare da Viação Férrea - não está mais sendo ocupada;
CONSIDERANDO que o mesmo, pela sua localização e estilo de construção, uma vez devidamente adaptado, serviria para o aludido fim, apresenta à consideração do Plenário a seguinte

INDICAÇÃO 00009

Que a Casa dirija-se ao Sr. Prefeito Municipal encarecendo-lhe estudar a possibilidade de instalar, naquele local, o Museu Municipal.

SALA DAS SESSÕES, 1.º DE ABRIL DE 1974

Alberto José Machado
                                                                                                                                          Vereador

Em 15 de dezembro de 1978, quando o Museu Municipal de Cachoeira do Sul foi finalmente criado, na administração do Dr. Julio Cezar Caspani e sob a atenção da Secretária Municipal de Educação e Cultura, Marisa Timm Sari, e direção de Lya Wilhelm, a estação já tinha ido ao chão. 

Estação em fase de demolição - Coleção Marô Silva

O vereador Alberto José Machado, em sua visão prospectiva, foi certeiro quando afirmou que a criação e instalação de um órgão desta natureza traria grandes benefícios para a nossa Comunidade. Não só trouxe, como resguardou do desaparecimento milhares e milhares de itens que ajudam a contar a trajetória do quinto município mais antigo do Rio Grande do Sul. E já faz isto há 40 anos!

A lamentar apenas é o destino infeliz que a Estação Ferroviária teve... A sua demolição levou para sempre uma página memorável da nossa história!

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bar América - plantas no acervo do Arquivo Histórico

A notícia de obras de recuperação e melhoria do Bar América para nele ser instalada a futura Secretaria Municipal da Cultura faz renascer a esperança de ver aquela parte nobre da Praça José Bonifácio revitalizada e, ao mesmo tempo, viabilizar espaço e melhores condições à valiosíssima área cultural do município.  A história do Bar América remonta ao ano de 1943, quando a imprensa noticiou que a Prefeitura Municipal pretendia construir um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. Assim noticiou o jornal O Comércio , de 17 de março daquele ano: A Praça José Bonifácio será dotada de um quiosque-bar Faz parte do programa de reforma da cidade, desde o calçamento das principais ruas, a construção de um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. De tempos em tempos, o nosso Governo Municipal faz publicar editais de concurrencia publica para a construção e exploração de um bar naquele local, mas estes não apareciam. Agora, foi posta em fóco novamente a questão e apresentou-se um único candidato, que en

Inauguração das Casas Pernambucanas

A notícia veiculada na imprensa de que em breve as Casas Pernambucanas voltarão a abrir as portas em Cachoeira do Sul despertou a curiosidade e o interesse de buscar informações sobre a instalação da primeira filial dessa popular casa comercial na cidade. Vem do Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico a resposta. O Commercio , 24/6/1931, p. 1 Folheando as páginas dos jornais O Commercio  e Jornal do Povo  da década de 1930 e partindo da notícia da inauguração da segunda loja das Casas Pernambucanas em Cachoeira, ocorrida em setembro de 1936, uma rápida volta no tempo levou ao dia 8 de julho de 1931: O Commercio, 8/7/1931, p. 1 Casas Pernambucanas. - Com a presença de exmas. sras., senhoritas e cavalheiros, representantes das autoridades do municipio e da imprensa local, foi inaugurada, ás 10 horas da manhã de quarta-feira ultima, no predio da rua Julio de Castilhos n.º 159, a Filial das Casas Pernambucanas, cuja gerencia está a cargo do sr. José Aquino, muito conhecido e relacionado ne

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminiano co