Pular para o conteúdo principal

Folha de pagamento

Vez ou outra a rica documentação preservada pelo Arquivo Histórico permite que a compreensão de quem a manuseia extrapole a simples informação expressa em seu conteúdo. A finalidade de emissão do documento foi uma, mas os seus desdobramentos podem ser muitos.

Uma nota de despesa com o serviço de canalização das águas pluviais executado na Rua 15 de Novembro em sua extensão, de forma a cobrir as esquinas das Ruas 7 de Abril (atual Dr. Milan Kras), 24 de Maio (atual Dr. Sílvio Scopel), Andrade Neves e General Portinho, possibilita o conhecimento dos nomes dos onze trabalhadores que aguardavam da Intendência Municipal o pagamento de seus honorários. Além de prestar-se aos arquivos das finanças da Intendência, justificando a despesa, a Folha de Pagamento do Pessoal do Calçamento resgata os trabalhadores do anonimato e revela o tipo de serviço que executaram, além de estabelecer, pelo valor despendido, o grau de importância atribuído às diferentes tarefas.

Folha de pagamento -  exercício de 1928 - IM/RP/SF/DD - Caixa 13

São eles: Erotildes Lopes, Julio Rosa e Gentil Simeão, pedreiros, pagos em 14 mil réis ao dia; Chrispim Chaves, Turibio Ferreira, Pedro Rios e João Manoel, cujas diárias de trabalho custaram 6 mil réis; Emiliano Cavalheiro e Albertino Pereira, também diaristas, porém pagos em 5.500 réis o dia; Vicente Granado, carroceiro, pago em 8 mil réis, e Evaristo Thomaz, que recebeu 9 mil réis por cada um dos seis metros de areia que forneceu às obras. O montante da folha de pagamento resultou em 1:607$250 réis, ou seja, um conto, seiscentos e sete mil e duzentos e cinquenta réis.

Outro dado demonstrado pelo documento, o que se revela em carimbos dos setores por onde circulou dentro da Intendência, é a morosidade do pagamento, ou seja, o tanto de tempo que esses trabalhadores levaram para receber seus honorários. O serviço foi executado em fevereiro de 1928, porém somente em 17 de abril foi quitado.

Uma simples folha de pagamento pode ser muito mais elucidativa do que se imagina, pois sobre ela muitos olhares podem ser lançados e a muitas descobertas pode encaminhar!

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...