Pular para o conteúdo principal

O carnaval de 1920

Há 100 anos o carnaval de Cachoeira, a julgar pelas notícias n'O Commercio, foi bem animado! Eram tempos de ruidosos grupos mascarados que saíam às ruas incitando todos à alegria e jogando muito lança-perfume, confete e serpentina.

Naquele ano  a novidade foi o surgimento do "Bloco Almofadinhas", que com um ruidoso "Zé Pereira" todas as noites assaltava as principais casas de diversões sob a batuta do maestro "Caturrita".

Na tarde e noite de domingo, 15 de fevereiro,  segundo o jornal, diversos grupos de mascarados percorreram, a pé e em vehiculos, algumas ruas da cidade. 
O "Blóco Almofadinhas", que já havia sahido em noites anteriores, sahiu, á tarde e á noite, com o seu ruidoso Zé Pereira, apresentando-se em diversos pontos.

Durante a noite de 16 do corrente houve grande reunião de povo na Avenida das Paineiras, jogando-se- animadamente, lança-perfume, confetti e serpentinas.
Á tarde de 17 o commercio local fechou as suas portas e pelas 5 horas começou a affluencia de povo á Avenida das Paineiras, que, ao anoitecer, estava repleta.
Embora não houvesse uma sociedade carnavalesca, nem commissão organisadora de festejos, áquella hora houve, na Avenida, muito transito de automoveis e carros alguns enfeitados e conduzindo senhoritas e cavalheiros com trajes de phantasia.
Entre os passageiros dos carros e os transeuntes do passeio da Avenida houve forte jogo de serpentinas, confetti e lança-perfumes, brincadeira que, quando desappareceram os vehiculos, ainda prolongou-se até ás 11 horas da noite.

Trecho da Avenida das Paineiras (atual Rua 7 de Setembro)
- Museu Municipal

Á noite de segunda-feira penultima effectuou-se um baile burlesco nos vastos salões do Club Renascença, cujas dependencias estiveram repletas de exmas. familias e cavalheiros.
A diversão começou pelas 10 horas, prolongando-se, por entre vivas e reciprocas expansões de alegria e cordialidade, até ás primeiras horas da madrugada de 17.
Nos intervallos da dança houve animado jogo de lança-perfume, confetti e serpentinas.

Em a noite de sabbado, 21 do corrente, o Club 7 de Setembro tambem realizou um baile burlesco.
As 10 horas os cavalheiros phantasiados partiram do Hotel do Commercio, precedidos de musica e do Zé-Pereira, estacando á frente da residencia do sr. Hercules Vasconcellos, onde receberam as phantasiadas do bello sexo, fazendo uma passeata pela rua 7 de Setembro, que, principalmente na Avenida das Paineiras, estava repleta de curiosos.
Chegando ao edificio social, á rua São João, este ficou cheio de exmas. familias e cavalheiros.
(...)
Tocaram, alternadamente, a Banda Musical Estrella Cachoeirense e orchestra do Quartetto Viennense, dirigida pelo maestro Frederico Hintze.
A diversão prolongou-se, sempre muito animada, até ás 5 horas da manhã de domingo.

Clube Sete de Setembro - O Rio Grande do Sul, de Alfredo R. da Costa (1922)

Pelo jornal é possível perceber que o carnaval de 1920 foi bastante festejado, seja através dos grupos e blocos que desfilavam pelas ruas, animados pelos Zé Pereiras, em que os confetes, serpentinas e os hoje proibidos lança-perfumes faziam a alegria dos foliões. Os clubes chamavam os bailes de carnaval de burlescos, iniciados por cortejo que percorria a pé o trajeto até a sede social. 

Os tempos mudaram, os festejos de carnaval também. Confetes e serpentinas seguem, bem menos efusivos em bailes adultos e ainda bem utilizados nos infantis. E os Zé Pereiras? Por aqui nem se ouve mais falar deles... Pelo menos com este nome!

*Zé Pereira: grupo de foliões que saíam às ruas munidos de bumbos animando blocos carnavalescos.

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Colégio Estadual Diva Costa Fachin: a primeira escola de área inaugurada no Brasil

No dia 1.º de outubro de 1971, Cachoeira do Sul recebeu autoridades nacionais, estaduais e regionais para inaugurar a primeira escola de área do Rio Grande do Sul e que foi também a primeira do gênero a ter a obra concluída no Brasil. Trata-se do Colégio Estadual Diva Costa Fachin, modelo implantado com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio - PREMEM, instituído pelo Decreto n.º 63.914, de 26/12/1968.  Colégio Estadual Diva Costa Fachin - Google Earth A maior autoridade educacional presente àquela solenidade foi Jarbas Passarinho, Ministro da Educação, acompanhado por Euclides Triches, governador, e pelos secretários de Educação, Coronel Mauro Costa Rodrigues, de Interior e Justiça, Octávio Germano, das Obras Públicas, Jorge Englert, e da Fazenda, José Hipólito Campos, além de representantes do Senado, de outros ministérios, estados e municípios.  Edições do Jornal do Povo noticiando a inauguração da escola (30/9/1971 e 3/10/1971, p. 1) Recepcionados na Ponte do Fa

Cachoeira do Sul e seu rico patrimônio histórico-cultural

A história de Cachoeira do Sul, rica e longeva, afinal são 202 anos desde a sua emancipação político-administrativa, legou-nos um conjunto de bens que hoje são vistos como patrimônio histórico-cultural. Muito há ainda de testemunhos desta história que merecem a atenção pelo que representam como marcas dos diferentes ciclos históricos. Mas felizmente a comunidade e suas autoridades, desde 1981, pela criação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC, têm reconhecido e protegido muitas destas marcas históricas. Antes da existência do COMPAHC muitos e significativos bens foram perdidos, pois o município não dispunha de mecanismos nem legislação protetiva, tampouco de levantamento de seu patrimônio histórico-cultural. Assim, o Mercado Público, em 1957, e a Estação Ferroviária, em 1975, foram duas das maiores perdas, sendo estes dois bens seguidamente citados como omissões do poder público e da própria comunidade. Sempre importante lembrar que por ocasião do anúncio da

O açoriano que instalou a Vila Nova de São João da Cachoeira

O que pouca gente sabe é que a autoridade máxima que procedeu à instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira era açoriano de nascimento.  Trata-se do Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa, autoridade constituída que veio à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição para instalar a Vila Nova de São João da Cachoeira no dia 5 de agosto de 1820. Naquele ato, providenciou na abertura dos livros da Câmara, conduziu a escolha e a posse dos três primeiros vereadores e mandou levantar o pelourinho, símbolo da autonomia político-administrativa, segundo a legislação portuguesa. Abertura do Livro 1.º da Câmara, feita por Joaquim B. de Senna Ribeiro da Costa em 3/8/1820  - CM/OF/TA-008 - foto Cristianno Caetano Deste homem pouca coisa se sabe. Natural dos Açores, tinha sido juiz de fora da Ilha Graciosa, em 1803. Era casado com Inácia Emília de Castro Borges Leal, tendo dois filhos: José e Joaquim José.  No mesmo