Pular para o conteúdo principal

Auxiliares de Comércio 1940

Vez ou outra doações de documentos despertam curiosidades que levam a interessantes achados. Na semana que corre, duas páginas que integravam um álbum de formatura foram doadas ao Arquivo Histórico, e despertaram a atenção quando passaram por análise:

Capa do álbum de diplomandas de 1940

Uma das páginas corresponde à capa do álbum de diplomandas de 1940 do curso de Auxiliares de Comércio do Instituto de Ensino Comercial "Roque Gonzalez", de Cachoeira. Abaixo, a fotografia do prédio do Colégio Imaculada Conceição. Como assim? A formatura era do Roque e a foto do Imaculada???

Um dos recursos para desvendar situações como esta é recorrer ao histórico das instituições para verificar se há informação a respeito ou buscar na imprensa da época notícia correspondente. Como o Arquivo Histórico dispõe de acervo de jornais, buscou-se os exemplares do Jornal do Povo e do O Comércio do ano de 1940. Desvendado o mistério.

No O Comércio, consta o seguinte, edição do dia 18 de dezembro de 1940:

Instituto Roque Gonçalves - Formatura das diplomandas de 1940
Depois de uma missa em acção de graças, celebrada na Igreja de Santo Antonio, terça-feira, 10 do andante, realizou-se, ás 9 horas da manhã, no Salão Nobre do Collegio Immaculada Conceição, localisado no pitoresco Bairro Fialho, a cerimonia e festividades correspondentes á collação de gráu das novas Auxiliares de Commercio do Instituto Roque Gonçalves, das quaes foram: paranimpho, o revmo. Sr. Bispo, D. Antonio Reis, da Diocese de Santa Maria, e homenageados os srs.: revmo. padre, dr. Leonardo do Soccorro Eckl, C. SS. R.; Pedro Affonso Gregory, Inspector do ensino do Gymnasio Roque Gonçalves, e Julio Castagnino.

O trecho acima desvendou o porquê da foto do Colégio Imaculada Conceição em capa de álbum do então Instituto Roque Gonçalves, hoje Colégio Marista Roque. E também identificou a foto que consta no verso da capa:

O paraninfo da turma, Bispo D. Antonio Reis, e os homenageados
Julio Castagnino, Pe. Leonardo Eckl e Pedro A. Gregory

Na outra folha, aparecem as formandas deste que foi o primeiro curso do então Instituto Roque Gonçalves a receber alunas, uma vez que a escola, instalada em Cachoeira no ano de 1929, foi inicialmente destinada só a alunos. A primeira aluna registrada foi Clotilde Martinez, formada guarda-livros pelo Instituto no ano de 1935 em uma turma de nove formandos.



As oito formandas daquele ano de 1940 e, no detalhe, Iris Dicklhuber, a quem pertencia o álbum
Mais uma vez a notícia do O Comércio foi fundamental para chegar-se aos nomes das moças que se formaram naquele ano: 

(...) Encerrando o acto da formatura das que vão prestar o seu decidido e valioso concurso na vida commercial, D. Antonio Reis usou da palavra, tecendo bellas considerações e dizendo da sua congratulação em ver realizado o esforço da dedicada turma, a qual se achava integrada das seguintes senhoritas:
Clara Rodrigues, Clecy Maria Magalhães Pires, Helena Rocha de Teixeira, Iris Dicklhuber, Maria Amelia Carvalho, Noemy Silveira, Patricia E. Guardiola e Ruth Boer. 

O desafio agora é identificar sete das oito formandas, ou seja, saber qual daqueles rostos corresponde aos nomes referidos pela notícia. A única exceção é Iris Dicklhuber, que aparece, ao centro, no primeiro plano da fotografia, dona do álbum original, cujas páginas avulsas chegaram ao Arquivo por doação de seu filho, Dr. Carlos Eduardo Dicklhuber Florence.

Formanda Iris Dicklhuber

Esta é uma das tantas missões das instituições que trabalham com memória: buscar fragmentos, encontrar pistas que levem ao desvendamento de uma página da história que chegou aos nossos dias fragmentada. E que missão compensadora quando o resultado é atingido!

Aguarda-se, agora, que algum atento leitor do blog ajude nossa equipe a nominar com precisão cada um dos rostos da bela fotografia de formandas.

A postagem já recebeu a primeira colaboração para identificação das formandas. 
Rosecler Pozzer Kühleis identificou Noemy Silveira, sua sogra. É a segunda em pé, da esquerda para a direita.
A segunda colaboração vem de Miriam Leipnitz e Mayra Strohschoen, que identificaram Ruth Böer como a terceira em pé, da esquerda para a direita, localizada às costas de Íris Dicklhuber.
A terceira colaboração vem de Terezinha Nogueira Lopes, afilhada de Patricia Eugênia Guardiola, que a identificou como a primeira em pé, da esquerda para a direita.
A quarta colaboração veio dos Açores, através de Lussana Fagundes, que identificou a terceira moça sentada, à direita, que era sua bisavó: Maria Amélia Bassedoni Carvalho.

As formandas já identificadas

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bar América - plantas no acervo do Arquivo Histórico

A notícia de obras de recuperação e melhoria do Bar América para nele ser instalada a futura Secretaria Municipal da Cultura faz renascer a esperança de ver aquela parte nobre da Praça José Bonifácio revitalizada e, ao mesmo tempo, viabilizar espaço e melhores condições à valiosíssima área cultural do município.  A história do Bar América remonta ao ano de 1943, quando a imprensa noticiou que a Prefeitura Municipal pretendia construir um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. Assim noticiou o jornal O Comércio , de 17 de março daquele ano: A Praça José Bonifácio será dotada de um quiosque-bar Faz parte do programa de reforma da cidade, desde o calçamento das principais ruas, a construção de um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. De tempos em tempos, o nosso Governo Municipal faz publicar editais de concurrencia publica para a construção e exploração de um bar naquele local, mas estes não apareciam. Agora, foi posta em fóco novamente a questão e apresentou-se um único candidato, que en

Inauguração das Casas Pernambucanas

A notícia veiculada na imprensa de que em breve as Casas Pernambucanas voltarão a abrir as portas em Cachoeira do Sul despertou a curiosidade e o interesse de buscar informações sobre a instalação da primeira filial dessa popular casa comercial na cidade. Vem do Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico a resposta. O Commercio , 24/6/1931, p. 1 Folheando as páginas dos jornais O Commercio  e Jornal do Povo  da década de 1930 e partindo da notícia da inauguração da segunda loja das Casas Pernambucanas em Cachoeira, ocorrida em setembro de 1936, uma rápida volta no tempo levou ao dia 8 de julho de 1931: O Commercio, 8/7/1931, p. 1 Casas Pernambucanas. - Com a presença de exmas. sras., senhoritas e cavalheiros, representantes das autoridades do municipio e da imprensa local, foi inaugurada, ás 10 horas da manhã de quarta-feira ultima, no predio da rua Julio de Castilhos n.º 159, a Filial das Casas Pernambucanas, cuja gerencia está a cargo do sr. José Aquino, muito conhecido e relacionado ne

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminiano co