Pular para o conteúdo principal

Locomóveis

A partir de 1906, com o grande incremento que as lavouras de arroz tiveram a partir do uso da irrigação artificial, os produtores começaram a empregar outros equipamentos, conscientes do quanto a técnica aperfeiçoava a produção.

Uma interessante matéria publicada no jornal Rio Grande em 19 de outubro de 1911, além de revelar o momento de progresso pelo qual a cidade passava, oferece a excepcional possibilidade de datar foto existente no acervo do Museu Municipal. Vamos à matéria:

Locomoveis - Devido ao grande desenvolvimento da lavoura em nosso prospero municipio, a venda de machinas e utensilios agrarios tem augmentado consideravelmente.

Ha poucos dias desembarcaram na estação ferro-viario [sic] 3 possantes locomoveis da afamada fabrica "Lanz" comprados da casa Bromberg por intermedio da casa Josè Müller & Cia. desta cidade.

O primeiro desembarcado tem a força de 21 cavallos e foi adquirido pelos srs. Xavier & Moura; e o segundo de força de 42 cavallos foi adquirido pela empreza dos srs. Laureiro [sic] & Cia. 

Ultimamente desembarcou mais outro de força de 45 cavallos destinado á empreza dos srs. Gama & Silva, no 2.º districto. Este possante locomovel, vae fazer o transporte pelo rio Jacuhy, no passo do "Syringa" na barca de caverna do porto desta cidade, gentilmente cedida para este fim. 

Sò este anno já foram vendidos pela casa Bromberg & Cia. por intermedio de viajantes e da casa Josè Müller & Cia., desta cidade, 45 locomoveis, destinados á lavoura de arroz, entre as forças de 5 a 45 cavallos, representando o capital nada menos de 500 contos de reis.

Existem, actualmente nos trapiches da casa Bromberg & Cia. em Porto Alegre, cerca de 30 locomoveis a despachar, os quaes, em sua maior parte, são destinados ao nosso municipio.

Como vêm os leitores o desenvolvimento da cultura do arroz augmenta dia a dia, tornando rico e prospero o nosso municipio, onde se casam o espirito emprehendedor do homem, com importantes capitaes.

A foto abaixo registra a chegada de equipamentos na Estação Ferroviária de Cachoeira. Sem data, pode muito bem ter sido feita no descarregamento descrito na matéria jornalística do jornal Rio Grande.

Descarregamento de máquinas na Estação Ferroviária
- Museu Municipal

A possibilidade de associação de matérias jornalísticas com imagens não identificadas é uma verdadeira compensação do trabalho de pesquisa, o que se credita à existência e manutenção de instituições de memória, como é o caso do Arquivo Histórico e do Museu Municipal. Se o jornal Rio Grande concede uma informação detalhada e quantificada dos negócios envolvendo as lavouras de arroz no ano de 1911, a foto confirma visualmente cena que parece ter sido bem frequente naqueles primeiros e prósperos tempos dos anos de 1900.

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Casa da Aldeia: uma lenda urbana

Uma expressão que se tornou comum em nossos dias é a da "lenda urbana", ou seja, algo que costuma ser afirmado pelas pessoas como se verdade fosse, no entanto, paira sobre esta verdade um quê de interrogação!  Pois a afirmação inverídica de que a Casa da Aldeia é a mais antiga da cidade é, pode-se dizer, uma "lenda urbana". Longe de ser a construção mais antiga da cidade, posto ocupado pela Catedral Nossa Senhora da Conceição (1799), a Casa da Aldeia, que foi erguida pelo português Manoel Francisco Cardozo, marido da índia guarani Joaquina Maria de São José, é mais recente do que se supunha. Até pouco tempo, a época tida como da construção da casa era dada a partir do requerimento, datado de 18 de abril de 1849, em que Manoel Francisco Cardozo: querendo elle Suppl. Edeficar umas Cazas no lugar da Aldeia ecomo Alli seaxe huns terrenos devolutos na Rua de S. Carlos que faz frente ao Norte efundos ao Sul fazendo canto ao este com a rua principal cujo n...

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...