Pular para o conteúdo principal

Multas - recurso antigo para disciplinar os costumes

Não é de hoje que as autoridades buscam meios para disciplinar os cidadãos de forma que a organização e o convívio nas cidades sigam os princípios da civilidade.
As rotinas citadinas mudam com os tempos, gerando outros costumes. Bons e maus.
Na Cachoeira do século XIX, animais não podiam andar soltos pelas ruas, tampouco instalarem-se em lugares públicos, sob pena de seus proprietários serem multados pelas autoridades municipais. Aliás vem deste tempo o costume de cercar as praças, o que evitava a invasão do espaço por cavalos, bois e outros animais que perambulavam pelas ruas.
Um documento da Procuradoria da Câmara Municipal, que era o setor encarregado das finanças municipais, datado do primeiro trimestre de 1859, mostra as curiosas infrações que geravam multas aos descuidados de então:

Relação de multas e multados - CM/Po/RDD-002
Vê-se pelo documento acima que carnear rês na rua rendeu uma multa de 4.000 réis a Estevão Candido de Carvalho; que uma carreta que vinha em disparada, ou seja, em "alta velocidade" pela rua, quebrando um frade  (marco de pedra colocado nas esquinas) custou ao bolso de Leocadio Correia 2.000 réis; que uma vaca que vagava pela rua com uma vara amarrada às aspas retirou do alforje de José de Jezus Christo e Silva 4.000 réis; e a viúva de um tal Pedrozo pagou o mesmo valor por ter deixado um boi aninhado na rua à noite!
Nos dias de hoje, cobrar multas de quem joga lixo em lugar indevido, apenas para citar um hábito nem um pouco salutar, mas infelizmente bastante comum, seria disciplinador, embora seja quase impossível conseguir fiscais para darem conta desta e de outras irregularidades geradas pelos costumes modernos...


Comentários

  1. É por postagens como essa que nos alegras todos os finais de semana, obrigado.
    Hugo !

    ResponderExcluir
  2. Hugo, tua leitura é estímulo permanente para o nosso trabalho.
    Obrigada!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Colégio Estadual Diva Costa Fachin: a primeira escola de área inaugurada no Brasil

No dia 1.º de outubro de 1971, Cachoeira do Sul recebeu autoridades nacionais, estaduais e regionais para inaugurar a primeira escola de área do Rio Grande do Sul e que foi também a primeira do gênero a ter a obra concluída no Brasil. Trata-se do Colégio Estadual Diva Costa Fachin, modelo implantado com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio - PREMEM, instituído pelo Decreto n.º 63.914, de 26/12/1968.  Colégio Estadual Diva Costa Fachin - Google Earth A maior autoridade educacional presente àquela solenidade foi Jarbas Passarinho, Ministro da Educação, acompanhado por Euclides Triches, governador, e pelos secretários de Educação, Coronel Mauro Costa Rodrigues, de Interior e Justiça, Octávio Germano, das Obras Públicas, Jorge Englert, e da Fazenda, José Hipólito Campos, além de representantes do Senado, de outros ministérios, estados e municípios.  Edições do Jornal do Povo noticiando a inauguração da escola (30/9/1971 e 3/10/1971, p. 1) Recepcionados na Ponte do Fa

Rainha do Carnaval de 1952

O carnaval de 1952 foi marcado por uma promoção da ZYF-4, a Rádio Cachoeira do Sul, e Associação Rural, que movimentou toda a cidade: a escolha da rainha dos festejos de Momo. Vamos conhecer esta história pelas páginas do Jornal do Povo : Absoluto êxito aguarda a sensacional iniciativa da ZYF-4 e Associação Rural - Milton Moreira (PRH-2) e a famosa dupla "Felix" da Televisão Tupi  participarão de atraente "show" Cachoeira do Sul viverá sábado à noite o maior acontecimento social dos últimos anos, com a realização do monumental "Garden-Party" promovido pela Rádio Cachoeira do Sul e Associação Rural nos jardins da ZYF-4. Rainha do Carnaval de 1952 -  Jornal do Povo, 21/2/1952, p. 1 Rádio Cachoeira do Sul - ZYF-4 - Coleção Emília Xavier Gaspary Precedido de quatro grandiosos bailes que se efetuaram nas principais entidades sociais cachoeirenses, o "Garden-Party" vem centralizando as atenções da cidade inteira, pois, assinalará o mais deslumbrante es

Cachoeira do Sul e seu rico patrimônio histórico-cultural

A história de Cachoeira do Sul, rica e longeva, afinal são 202 anos desde a sua emancipação político-administrativa, legou-nos um conjunto de bens que hoje são vistos como patrimônio histórico-cultural. Muito há ainda de testemunhos desta história que merecem a atenção pelo que representam como marcas dos diferentes ciclos históricos. Mas felizmente a comunidade e suas autoridades, desde 1981, pela criação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC, têm reconhecido e protegido muitas destas marcas históricas. Antes da existência do COMPAHC muitos e significativos bens foram perdidos, pois o município não dispunha de mecanismos nem legislação protetiva, tampouco de levantamento de seu patrimônio histórico-cultural. Assim, o Mercado Público, em 1957, e a Estação Ferroviária, em 1975, foram duas das maiores perdas, sendo estes dois bens seguidamente citados como omissões do poder público e da própria comunidade. Sempre importante lembrar que por ocasião do anúncio da