terça-feira, 30 de dezembro de 2014 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Cachoeira: urgentes necessidades da cidade em 1869

Um dos livros utilizados pela Câmara Municipal da Cidade da Cachoeira para lançamento das cópias dos ofícios dos vereadores (CM/S/SE/RE-007), aberto em 3 de março de 1863, traz em suas folhas 146 a 148v. um relatório que atendia ao estabelecido por lei em que os deputados da Assembleia Provincial deveriam ser informados das mais urgentes necessidades dos municípios.

O documento traz como primeira necessidade a recuperação da Igreja Matriz que, naquela época, era o mais importante edifício da cidade, juntamente com a Casa de Câmara, Júri e Cadeia recentemente construída. 

Igreja Matriz em seu aspecto original (foto entre 1910/1920) -
Fototeca Museu Municipal
Nas imediações, os prédios mais imponentes e ainda assim sem rivalizar com a Igreja eram o Império do Divino Espírito Santo (1856) e o Teatro Cachoeirense (1830).

Teatro Cachoeirense - Museu Municipal

Igreja Matriz e Império do Espírito Santo - Fototeca Museu Municipal

Eis algumas das necessidades listadas:

1.º = A Igreja Matriz da Cidade da Cachoeira, cujo exterior se acha em estado lastimoso, tem necessidade absoluta de alguns reparos, sobretudo carece ser rebocada na sua totalidade e retelhada; A conservação do edificio imperiosamente exige estes concertos, não menos desejaveis do ponto de vista da decencia e como prova que os habitantes deste lugar acatão com a divida veneração a caza de Deus.
2.º = A illuminação publica da Cidade na lei vigente do orçamento Provincial foi contemplada esta Cidade com 40 lampeões para o fim de sua noturna illuminação, posto que seja insuficiente este numero de lampeões para de um modo complecto e conviniente illuminar toda Cidade, com tudo é de grande vantagem e ousamos agora pedir que seja de novamente consignado no fucturo orçamento Provincial outro igual numero.
3.º = O calçamento do caminho que conduz da Cidade para o porto que tem no rio Jacuhÿ; e o melhoramento, ou antes a conclusão dos trabalhos da rampa do desembarque no mesmo porto, são, principalmente o primeiro, construcções de palpitante urgencia, com cuja realização muito aproveitará o commercio, e com elle a riqueza geral do lugar.
4.º = Os trabalhos tendentes a obstar a continuação do esboroamento da sanga denominada da Michaela (...) As ultimas quadras de seo curso, antes de confundir-se com o arroio - amorim - tem-se transformado em um precipicio de grande profundidade e largura, o qual cada vêz avança mais agoa acima pelo continuado desmoronamento das terras (...) Este continuado avançar do precipicio ameaça enterromper em breve tempo o transito e a communicação com esta Cidade das estradas vindas da campanha, da Cidade de Rio = Pardo, da colonia de Sto. Angelo e de cima da serra (...)
5.º = Estradas geraes, e Paços sobre rios e arroios. A estrada geral que vinda da Cidade de Rio = Pardo com destino de S. Gabriel atravessa parte do municipio da Cidade da Cachoeira desde as margens do arroio Butucarahÿ até a diviza do municipio de Caçapava alem do arroio Santa Barbara, é sem duvida uma importantissima via de communicação, não somente como estrada militar, como tão-bem pelo incessante movimentar de carretas que conduzem artigos de commercio da Capital as Cidades de Caçapava e S. Gabriel e as mais povoações de grande parte da fronteira (...).

O relatório segue dando detalhes das necessárias obras nas estradas e passos, justificando que o orçamento da Câmara era deficitário, especialmente por ela se achar obrigada a pagar anualmente, para saldar empréstimo feito pela Fazenda Provincial no valor de 26:000$000 (vinte e seis contos de réis), para o pagamento de igual quantia á viuva de Ferminiano Pereira Soares, pela construcção da caza de suas Sessões e Cadêa.

Transcorridos 145 anos, deduz-se a magnitude das urgências elencadas pelos vereadores e o quanto deve ter sido colocado em segundo plano numa cidade jovem, em crescimento e que vivia uma época de infraestrutura extremamente deficitária. 

A responsabilidade das escolhas recaiu sobre os signatários do documento, datado de 3 de maio de 1869, vereadores Candido Gonçalves Borges, Fideles Semões de Alemcastre, Timotheo José Severo, João Alves de Almedia, Bento Porto da Fontr.ª.

2 comentários:

Edson Souza disse...

O que era o Império do Espíritos Santo?

Mirian Ritzel disse...

Construção destinada a festas religiosas, especialmente a do Divino Espírito Santo, bem como outros encontros voltados ao culto católico, beneficentes, quermesses, etc.

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