Pular para o conteúdo principal

As Comemorações do Centenário Farroupilha em Cachoeira - 1935

Em 20 de setembro de 1935, como em todo o Estado, também Cachoeira desenvolveu um vasto programa para comemorar o centenário farroupilha, que constou de A grande parada das forças federaes e dos collegios. - A inauguração do monumento a Antonio Vicente da Fontoura. - Uma sessão no Consistorio das Irmandades Conjunctas. - conforme estampou a primeira página do jornal O Commercio em sua edição do dia 25 de setembro de 1935:

Jornal O Commercio, edição de 25/9/1935, p. 1
- acervo de imprensa do Arquivo Histórico
A's 6 horas, uma banda de clarins percorreu as principaes ruas da cidade, sendo celebrada, ás 8 horas, na Igreja Matriz, uma missa solemne, a qual foi concorridissima, e assistida pelos collegios e autoridades civis e militares.
A's 9 horas foi inaugurada a herma do heroico farroupilha Antonio Vicente da Fontoura, falando, em nome do municipio, e como representante do prefeito, o sr. Virgilio de Abreu, que, dando o monumento por inaugurado, fez sua entrega á cidade, como patrimonio moral, dizendo da grande significação daquelle acto em que se homenageava um dos expoentes maximos da Epopéa Farroupilha, sendo muito applaudido.
Após, fallou em nome da Escola Complementar "João Neves da Fontoura" e Collegio Elementar "Antonio Vicente da Fontoura", a senhorita Dora Abreu, merecendo a sua oração calorosos applausos.
Por ultimo, em nome da mocidade de Cachoeira, o dr. José Patricio de Albuquerque proferiu uma bela oração.
[...]
Em seguida, foram cantados os hymnos Rio Grandense e Nacional, vocalisados pelos alumnos e professoras da Escola Complementar e Collegio Elementar e, após o desfile das forças militares da Guarnição Federal e Destacamento da Brigada Militar desta cidade, bem como dos athletas da Sociedade Atiradores Concordia, Gymnasio Roque Gonçalves, Collegio Brasileiro-Allemão, Collegio Elementar, Escola Complementar e Grupo Escolar e alumnos dos collegios Immaculada Conceição, das Missionarias de Jesus Crucificado e da União de Moços Catholicos, que foi assistido pelas autoridades civis, militares e eclesiasticas da Tribuna de Honra especialmente levantada enfrente a Herma, que tem os seguintes dizeres:

"1835. A' Antonio Vicente da Fontoura, Homenagem do Municipio de Cachoeira, 1935"

e logo abaixo as armas do Estado. 
No Consistorio das Irmandades do S. S. e Nossa Senhora da Conceição, realizou-se, ás 14 horas, uma sessão solemne, na qual foi inaugurado o retrato do Provedor Honorario, o estimado cidadão João Carlos Brandes, e homenageado Antonio Vicente da Fontoura, tendo sido a sessão aberta pelo sr. Achylles Figueiredo, actual provedor [...]
Em seguida a senhorita Marina Brandes, filha do homenageado, descerrou a cortina do quadro, o que foi feito entre calorosas palmas da selecta assistencia, sendo o sr. Brandes muito felicitado, por aquella demonstração de apreço e gratidão que lhe tributava a veneravel Irmandade, o que, em breves palavras agradeceu, commovido.
Falou, após, o orador oficial, dr. Balthazar Gama Barbosa, que discorreu sobre a personalidade de Antonio Vicente da Fontoura, que foi provedor das Irmandades em 1845, e em cuja mesa historica, que é uma reliquia daquella casa, e na qual se realizou a sessão solemne, foi assassinado naquelle mesmo recinto, dizendo o dr. Barbosa magistral peça oratoria que causou funda impressão no selecto auditorio, sendo o orador cumprimentado por todas as pessoas presentes, entre as quaes muitos netos do Commendador Fontoura, que, muito commovidos, agradeceram aquella homenagem ao saudoso ascendente tronco da grande arvore das familias Porto, Xavier e Fontoura, desta cidade.
Como mais ninguem quizesse fazer uso da palavra, o sr. Achylles Figueiredo, convidou o revmo. monsenhor Armando Teixeira, vigario da parochia, a encerrar a sessão, em nome de Deus, o que foi feito, com as phrases do estylo, acompanhadas por todos os presentes "Louvado seja Nosso Senhor Jesus Christo".
Estiveram ali representadas todas as associações religiosas, autoridades civis, e militares e ecclesiasticas [...]

Mons. Armando Teixeira
- fototeca Museu Municipal

Comentários

  1. Boa Tarde,
    No Livro de Germano Oscar Moehlecke, Os Imigrantes Alemães e a Revolução Farroupilha, tem uma carta de Francisca Bernarda Orsi de São Leopoldo RS, ao seu esposo, João Baptista Orsi ... Agora eu também principio a me queixar que a última carta que recebi foi de Cachoeira, acho que já esqueceu das patriotas de São Leopoldo, pois já sabe as que tem satisfação em receber notícias suas. Essa carta está na pág. 160 do ref. livro. data de 20 de agosto de 1839. Houveram muitos fatos relevantes em relação `contenda farroupilha em Cachoeira do Sul ? ... Sei que esses registros eram muito censurados pelo caráter de antagonismo ao governo, mas se puderem me auxiliar, Ficaria Muito Grato por alguma indicação de fonte.

    ResponderExcluir
  2. Caro leitor:
    Cachoeira foi palco de vários acontecimentos interessantes durante a Revolução Farroupilha. Aliás, a vila de Cachoeira era às vezes farroupilha, às vezes legalista... Estamos preparando um dossiê da Revolução Farroupilha em Cachoeira e em breve disponibilizaremos. Estamos à disposição para consultas e pesquisas em horário especial de verão: de segunda a sexta, das 7h30 às 13h30.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Bar América - plantas no acervo do Arquivo Histórico

A notícia de obras de recuperação e melhoria do Bar América para nele ser instalada a futura Secretaria Municipal da Cultura faz renascer a esperança de ver aquela parte nobre da Praça José Bonifácio revitalizada e, ao mesmo tempo, viabilizar espaço e melhores condições à valiosíssima área cultural do município.  A história do Bar América remonta ao ano de 1943, quando a imprensa noticiou que a Prefeitura Municipal pretendia construir um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. Assim noticiou o jornal O Comércio , de 17 de março daquele ano: A Praça José Bonifácio será dotada de um quiosque-bar Faz parte do programa de reforma da cidade, desde o calçamento das principais ruas, a construção de um quiosque-bar na Praça José Bonifácio. De tempos em tempos, o nosso Governo Municipal faz publicar editais de concurrencia publica para a construção e exploração de um bar naquele local, mas estes não apareciam. Agora, foi posta em fóco novamente a questão e apresentou-se um único candidato, que en

Inauguração das Casas Pernambucanas

A notícia veiculada na imprensa de que em breve as Casas Pernambucanas voltarão a abrir as portas em Cachoeira do Sul despertou a curiosidade e o interesse de buscar informações sobre a instalação da primeira filial dessa popular casa comercial na cidade. Vem do Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico a resposta. O Commercio , 24/6/1931, p. 1 Folheando as páginas dos jornais O Commercio  e Jornal do Povo  da década de 1930 e partindo da notícia da inauguração da segunda loja das Casas Pernambucanas em Cachoeira, ocorrida em setembro de 1936, uma rápida volta no tempo levou ao dia 8 de julho de 1931: O Commercio, 8/7/1931, p. 1 Casas Pernambucanas. - Com a presença de exmas. sras., senhoritas e cavalheiros, representantes das autoridades do municipio e da imprensa local, foi inaugurada, ás 10 horas da manhã de quarta-feira ultima, no predio da rua Julio de Castilhos n.º 159, a Filial das Casas Pernambucanas, cuja gerencia está a cargo do sr. José Aquino, muito conhecido e relacionado ne

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminiano co