Pular para o conteúdo principal

Dr. João Neves da Fontoura - 130 anos

Há 130 anos, nascia em Cachoeira João Neves da Fontoura, filho de Isidoro Neves da Fontoura e de Adalgisa Godoy da Fontoura, um dos vultos mais ilustres e importantes desta terra.

Dr. João Neves da Fontoura - Fototeca Museu Municipal

Em 16 de novembro de 1927, por ocasião de seu 40.º aniversário, João Neves foi alvo de homenagens. A notícia que ocupou a primeira página do jornal O Commercio, edição de 23 de novembro, dá mostras do quão importante já era o jovem político, cuja trajetória futura o consagraria ainda mais. 

Dr. João Neves da Fontoura

O nosso illustre amigo dr. João Neves da Fontoura, "leader" da maioria republicana da Assembléa e candidato á vice-presidencia do Estado, recebeu, por motivo do seu anniversario natalicio, a seguinte carta de congratulações que lhe enviou o dr. Borges de Medeiros, eminente presidente do Estado e chefe do Partido Republicano Rio-Grandense.

"Porto Alegre, 16 de novembro de 1927. - Prezado amigo dr. João Neves da Fontoura. N/C.
Acceitae as minhas effusivas felicitações pelo transcurso do vosso anniversario natalicio, que os correligionarios e os admiradores do vosso peregrino talento festejam jubilosos, na data de hoje.
Fazendo votos pelo prolongamento da vossa existencia, que uma mocidade radiosa e cheia de serviços á causa publica já recommendou ao apreço dos rio-grandenses, apraz-me renovar-vos as seguranças da minha estima e consideração - Borges de Medeiros".
---
A Federação assim noticiou o seu anniversario:

"Transcorre hoje o anniversario natalicio do nosso illustre amigo dr. João Neves da Fontoura, "leader" da maioria republicana da Assembléa dos Representantes e candidato á vice-presidencia do Estado no proximo quinquennio.
O fulgor de seus peregrinos talentos, a lealdade de suas convicções, a sua permanente e efficaz actividade em funcções politicas e administrativas, em que tem revelado predicados invulgares de operosidade e competencia, fazem de João Neves na vida republicana do Rio Grande do Sul uma individualidade de remarcado relevo.
Na Assembléa dos Representantes, a sua palavra eloquente e vibrante, na defesa dos nossos principios e das realisações fecundas do governo rio-grandense, é o reflexo empolgante e persuasivo da consciencia republicana, dos seus ideaes e das suas aspirações.
O apreço e a admiração que merece João Neves do seu partido estão expressos na indicação de seu nome á vice-presidencia do Estado, feita pelo eminente chefe republicano, dr. Borges de Medeiros, com o applauso e a solidariedade dos seus correligionarios.
Ao devotado republicano e insigne parlamentar A Federação envia affectuosas saudações.

João Neves chegaria à vice-presidência do Estado, tendo como presidente Getúlio Vargas. Em 1928 entregaria a Intendência de Cachoeira para seu sucessor José Carlos Barbosa. Entrou para a história local como o administrador que mais e grandiosas obras urbanas empreendeu. 

Com esta postagem, a equipe do Arquivo Histórico do Município de Cachoeira do Sul presta sua homenagem ao homem e ao líder que disse um dia: 

"De quantas honrarias depois me couberam, dentro e fora do Brasil, nenhuma me trouxe mais alegria do que o exercício de uma modesta prefeitura do interior."

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O nascimento da Ponte do Fandango

Era prefeito municipal o jovem advogado Liberato Salzano Vieira da Cunha e um dos grandes clamores da Cachoeira do Sul de seu tempo era a construção de uma ponte que transpusesse o Jacuí. Imbuído do objetivo de encontrar solução  para concretização deste anseio, Liberato Salzano embarcou para a capital federal, então a cidade do Rio de Janeiro, para tentar junto à Presidência da República meios de construir a ponte. No retorno da viagem, cheio de entusiasmo, o prefeito, que também era um dos diretores do Jornal do Povo , mereceu foto na primeira página e a manchete: Será Construida a Ponte Sôbre o Rio Jacuí .  Dr. Liberato S. Vieira da Cunha - MMEL Logo abaixo da manchete, a chamada:   Melhoria nas Condições de Navegabilidade no Mesmo Rio - Obtidas Verbas de Duzentos Mil Cruzeiros, Respectivamente Para a Construção de Uma Escola de Artes e Oficios Para as Obras da Casa da Criança Desamparada - Início da Construção das Casas Populares - Departamento de Fomento à ...

Série: Centenário do Château d'Eau - as esculturas

Dentre os muitos aspectos notáveis no Château d'Eau estão as esculturas de ninfas e Netuno. O conjunto escultórico, associado às colunas e outros detalhes que tornam o monumento único e marcante no imaginário e memória de todos, foi executado em Porto Alegre nas famosas oficinas de João Vicente Friedrichs. Château d'Eau - década de 1930 - Acervo Orlando Tischler Uma das ninfas do Château d'Eau - foto César Roos Netuno - foto Robispierre Giuliani Segundo Maria Júlia F. de Marsillac*, filha de João Vicente, com 15 anos o pai foi para a Alemanha estudar e lá se formou na Academia de Arte. Concluído o curso, o pai de João Vicente, Miguel Friedrichs, enviou-lhe uma quantia em dinheiro para que adquirisse material para a oficina que possuía em Porto Alegre. De posse dos recursos, João Vicente aproveitou para frequentar aulas de escultura, mosaico, galvanoplastia** e de adubos químicos, esquecendo de mandar notícias para a família. Com isto, Miguel Friedrichs pediu à polícia alemã...

A Ponte do Passo Geral do Jacuí

O Passo Geral do Jacuí, localizado a 30 km da cidade de Cachoeira do Sul, pela estrada de rodagem e, cerca de 40 km pelo leito do rio Jacuí, foi um dos caminhos de ligação entre Rio Pardo e a Região da Fronteira Oeste e Planalto, em tempos de paz e de Guerra Farroupilha. Terminada a Revolução Farroupilha, com a pacificação de Ponche Verde, a Província, governada por Caxias, volta-se para as obras e a prosperidade do Rio Grande do Sul. Em 8 de abril de 1846, por decreto, é apresentado o projeto para esse desenvolvimento e nele incluída a construção de uma ponte sobre o Passo Geral do Jacuí. Uma obra necessária e vital para agilizar a ligação entre os principais núcleos urbanos, servidos pelo rio Jacuí e a comercialização dos produtos e riquezas entre regiões Leste e Oeste da Província. Sua construção foi contratada pelo empreiteiro Ferminiano Pereira Soares, em 1848, pela quantia de 250 contos de réis, paga em seis prestações e num prazo contratual de cinco anos. (Ferminian...