Pular para o conteúdo principal

Análise das águas do rio Jacuí e do arroio Amorim


Em 1911, respondendo a um ofício da Intendência Municipal de Cachoeira, a Diretoria de Higiene do Estado do Rio Grande do Sul apresentou o resultado da análise de quatro garrafas de água retiradas do rio Jacuí e do arroio Amorim:

Ofício de resposta da Diretoria de Higiene -
IM/HA/SA/Ofícios - 3/8/1911
Pelas amostras encaminhadas para o laboratório da Diretoria de Higiene, as águas apresentavam as seguintes características: 

Rio Jacuí                                                                                           Arroio Amorim
Resíduo fixo a + 110º por litro - 0,115                                                         0,064
Perdas ao rubro por litro - 0,030                                                                 0,019
Dureza total em CaO por 100 litros - 1,6008                                                1,0670
Dureza temporal em CaO por 100 litros - 0,5338                                         0,2666
Dureza permanente em CaO por 100 litros - 1,0670                                     0,8004
Dureza total em CO3Ca  por 100 litros - 2,8927                                           1,9285
Dureza temporal em CO3Ca por 100 litros - 0,9642                                     0,4822
Dureza permanente em CO3Ca por l00 litros - 1,9285                                  1,4463
Matéria orgânica avaliada em miligramas de oxigênio por litro - meio ácido: Jacuí - 2,6/Amorim - 5,
Matéria orgânica avaliada em miligramas de oxigênio por litro - meio alcalino: Jacuí - 6,8/Amorim - 2,4
Amônia: Jacuí - não/Amorim - não
Nitratos e nitritos: Jacuí - não/Amorim - não

Em 1911, o intendente Isidoro Neves da Fontoura, preocupado em dotar a cidade de um serviço de abastecimento de água, encomendou ao Dr. Benito Ilha Elejalde, engenheiro da Escola de Engenharia de Porto Alegre, projeto para construção de uma hidráulica que captasse, decantasse e distribuísse água, assim como estabelecimento de rede de esgotos. Para isto, o Dr. Elejalde esteve em Cachoeira na segunda quinzena de junho de 1911 para fazer os primeiros estudos, conforme noticiou o jornal Rio Grande de 29 de junho:

(...) O dr. Benito Elejalde depois de examinar o Jacuhy e diversas vertentes que formam o arroio Amorim, concluiu seus estudos preliminares. Em uma das vertentes foi encontrada a descarga de 45 litros por segundo e na outra de 20 litros, o que é mais que sufficiente pois para o abastecimento da cidade são necessarios somente 15 litros. O illustre profissional, que regressou terça-feira ultima para a capital, levou duas amostras das aguas do Jacuhy e Amorim, para serem analysadas pelo laboratorio chimico de Porto Alegre. (...) Ficou constatado que em qualquer forma a agua será elevada por meio de bombas. Dentro em breve pois, este util melhoramento se tornarà realidade, satisfazendo ás aspirações do povo desta prospera cidade.


Dr. Benito Elejalde (n.º 5), dentre ilustres de sua época
- www.profciriosimon.blogspot.com

A hidráulica pretendida por Isidoro Neves da Fontoura não se concretizou na sua administração,  embora também tenha vindo a Cachoeira, por parte do Dr. Benito Elejalde, o engenheiro Alois Strimitzer para levantar a planta e o nivelamento da cidade como complemento do projeto hidráulico (Rio Grande de 20 de julho de 1911). Esta parece ter sido a última ação da projetada hidráulica. 

Dez anos depois, em 20 de setembro de 1921, quando era intendente Aníbal Lopes Loureiro, foi finalmente inaugurada a primeira hidráulica de Cachoeira, cujos serviços de instalação couberam aos construtores José Mariné e Justo Martinez, sob a direção do Dr. João Protásio Pereira da Costa, engenheiro-chefe da Seção de Obras Públicas do município.

Primeira hidráulica - COMPAHC

Relembrando esta história, lançam-se saudações às obras de recuperação da importante ponte sobre o arroio Amorim.

MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Colégio Estadual Diva Costa Fachin: a primeira escola de área inaugurada no Brasil

No dia 1.º de outubro de 1971, Cachoeira do Sul recebeu autoridades nacionais, estaduais e regionais para inaugurar a primeira escola de área do Rio Grande do Sul e que foi também a primeira do gênero a ter a obra concluída no Brasil. Trata-se do Colégio Estadual Diva Costa Fachin, modelo implantado com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio - PREMEM, instituído pelo Decreto n.º 63.914, de 26/12/1968.  Colégio Estadual Diva Costa Fachin - Google Earth A maior autoridade educacional presente àquela solenidade foi Jarbas Passarinho, Ministro da Educação, acompanhado por Euclides Triches, governador, e pelos secretários de Educação, Coronel Mauro Costa Rodrigues, de Interior e Justiça, Octávio Germano, das Obras Públicas, Jorge Englert, e da Fazenda, José Hipólito Campos, além de representantes do Senado, de outros ministérios, estados e municípios.  Edições do Jornal do Povo noticiando a inauguração da escola (30/9/1971 e 3/10/1971, p. 1) Recepcionados na Ponte do Fa

Rainha do Carnaval de 1952

O carnaval de 1952 foi marcado por uma promoção da ZYF-4, a Rádio Cachoeira do Sul, e Associação Rural, que movimentou toda a cidade: a escolha da rainha dos festejos de Momo. Vamos conhecer esta história pelas páginas do Jornal do Povo : Absoluto êxito aguarda a sensacional iniciativa da ZYF-4 e Associação Rural - Milton Moreira (PRH-2) e a famosa dupla "Felix" da Televisão Tupi  participarão de atraente "show" Cachoeira do Sul viverá sábado à noite o maior acontecimento social dos últimos anos, com a realização do monumental "Garden-Party" promovido pela Rádio Cachoeira do Sul e Associação Rural nos jardins da ZYF-4. Rainha do Carnaval de 1952 -  Jornal do Povo, 21/2/1952, p. 1 Rádio Cachoeira do Sul - ZYF-4 - Coleção Emília Xavier Gaspary Precedido de quatro grandiosos bailes que se efetuaram nas principais entidades sociais cachoeirenses, o "Garden-Party" vem centralizando as atenções da cidade inteira, pois, assinalará o mais deslumbrante es

Cachoeira do Sul e seu rico patrimônio histórico-cultural

A história de Cachoeira do Sul, rica e longeva, afinal são 202 anos desde a sua emancipação político-administrativa, legou-nos um conjunto de bens que hoje são vistos como patrimônio histórico-cultural. Muito há ainda de testemunhos desta história que merecem a atenção pelo que representam como marcas dos diferentes ciclos históricos. Mas felizmente a comunidade e suas autoridades, desde 1981, pela criação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC, têm reconhecido e protegido muitas destas marcas históricas. Antes da existência do COMPAHC muitos e significativos bens foram perdidos, pois o município não dispunha de mecanismos nem legislação protetiva, tampouco de levantamento de seu patrimônio histórico-cultural. Assim, o Mercado Público, em 1957, e a Estação Ferroviária, em 1975, foram duas das maiores perdas, sendo estes dois bens seguidamente citados como omissões do poder público e da própria comunidade. Sempre importante lembrar que por ocasião do anúncio da