Pular para o conteúdo principal

Garrafas compram ambulância

O Hospital de Caridade tem uma história de envolvimento com a comunidade desde o tempo da idealização e construção do primeiro prédio, hoje sede da Escola de Saúde. Campanhas comunitárias das mais variadas modalidades, desde chás, almoços, rifas e outras serviram como molas propulsoras da sua história de crescimento e qualificação, sendo responsáveis pelo erguimento também do segundo prédio, inaugurado em 1940, e de tantas outras melhorias até os nossos dias.


Construção do 2.º prédio do Hospital (vista dos fundos) - Museu Municipal

Pois em 1941, eis que mais uma vez a comunidade uniu-se para aquisição de uma ambulância, iniciativa coordenada por um grupo de senhoras. A auto-ambulância, como era então chamada, constituía-se em uma das mais prementes necessidades exigidas atualmente nesta cidade, pois para isso já possuímos um dos melhores hospitais do Estado e quiçá do paiz, dizia O Comércio de 1.º de outubro de 1941. A campanha, denominada Pró auto-ambulância, visava resolver a precariedade do atendimento dos casos clínicos de urgência, ocasião em que os enfermos, necessitando de remoção, muitas vezes eram transportados em caminhões de carga, com riscos de agravamento de seu estado.

As atividades desenvolvidas com o propósito de aquisição da ambulância foram chás de caridade, espetáculos no Cine-Teatro Coliseu, com sorteio de brindes aos espectadores, e Festa da Primavera no Clube Comercial, atingindo cifra considerável. Além dessas, desenvolveu-se com grande sucesso a Campanha das Garrafas, constando do recolhimento de garrafas vazias em endereços residenciais e comerciais da cidade.

Sobre a campanha assim se referiu O Comércio de 5 de novembro de 1941:

Campanha das garrafas. Conforme temos divulgado amplamente, segunda-feira transáta, foi iniciado o recolhimento de garrafas vasias em todas as casas de residencias e comerciais, em uma campanha monetária pró aquisição de um Carro-ambulância, para o Hospital de Caridade.

Essas garrafas uma vez recolhidas, foram vendidas todas, em beneficio dessa iniciativa da mulher cachoeirense, na consecução de uma finalidade altamente humanitaria.

E o apoio e a solidariedade da população não foi menos significativa, pois isto foi demonstrado durante os dias de segunda, terça e quarta-feira, quando recolheram os caminhões transbordantes de garrafas vasias.

É digna pois, dos maiores encomios essa iniciativa das damas que ombreiam com essa idéa, concorrendo assim sem dificuldade a população cachoeirense, para este grande melhoramento para a Princeza do Jacuí.

Depois de angariações diversas necessárias para integralizar o valor necessário para  compra do veículo, finalmente em 26 de abril de 1942, domingo, às 11 horas da manhã, defronte ao Hospital de Caridade, foi entregue solenemente o auto-ambulância doado pela sociedade cachoeirense. Benzida a ambulância pelo Monsenhor Armando Teixeira, houve discurso de oferta pelo Dr. Orlando da Cunha Carlos, pronunciamento do Dr. Fabricio Pillar Soares em nome do Hospital, sendo depois convidados para padrinhos do veículo Reinoldo Preussler, Edwino Schneider, Reinaldo Roesch, Theobaldo Burmeister, Henrique Comasseto, Dr. Fabricio Pillar Soares, João Santos, Manoel Antonio Gonçalves, Manoel José Pereira, Ivo Becker, Luiz Lara e Frederico Gressler.

Segundo noticiou o Jornal do Povo de 30 de abril de 1942, a referida ambulância que, conforme já dissemos, é um dos mais modernos carros para transporte de doentes, está montada sôbre um chassis Ford, 112, 1941. Segundo o mesmo jornal, a ambulância estava aparelhada com os mais recentes dispositivos e com capacidade para transportar dois enfermos.


Ambulância na frente do HCB - Museu Municipal


A exemplo da ambulância, necessidade de primeira ordem naquele tempo, o Hospital de Caridade segue sendo alvo dos esforços da população cachoeirense, posto que ninguém está a salvo de necessitar do seu devido e eficiente socorro.


MR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Colégio Estadual Diva Costa Fachin: a primeira escola de área inaugurada no Brasil

No dia 1.º de outubro de 1971, Cachoeira do Sul recebeu autoridades nacionais, estaduais e regionais para inaugurar a primeira escola de área do Rio Grande do Sul e que foi também a primeira do gênero a ter a obra concluída no Brasil. Trata-se do Colégio Estadual Diva Costa Fachin, modelo implantado com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio - PREMEM, instituído pelo Decreto n.º 63.914, de 26/12/1968.  Colégio Estadual Diva Costa Fachin - Google Earth A maior autoridade educacional presente àquela solenidade foi Jarbas Passarinho, Ministro da Educação, acompanhado por Euclides Triches, governador, e pelos secretários de Educação, Coronel Mauro Costa Rodrigues, de Interior e Justiça, Octávio Germano, das Obras Públicas, Jorge Englert, e da Fazenda, José Hipólito Campos, além de representantes do Senado, de outros ministérios, estados e municípios.  Edições do Jornal do Povo noticiando a inauguração da escola (30/9/1971 e 3/10/1971, p. 1) Recepcionados na Ponte do Fa

Rainha do Carnaval de 1952

O carnaval de 1952 foi marcado por uma promoção da ZYF-4, a Rádio Cachoeira do Sul, e Associação Rural, que movimentou toda a cidade: a escolha da rainha dos festejos de Momo. Vamos conhecer esta história pelas páginas do Jornal do Povo : Absoluto êxito aguarda a sensacional iniciativa da ZYF-4 e Associação Rural - Milton Moreira (PRH-2) e a famosa dupla "Felix" da Televisão Tupi  participarão de atraente "show" Cachoeira do Sul viverá sábado à noite o maior acontecimento social dos últimos anos, com a realização do monumental "Garden-Party" promovido pela Rádio Cachoeira do Sul e Associação Rural nos jardins da ZYF-4. Rainha do Carnaval de 1952 -  Jornal do Povo, 21/2/1952, p. 1 Rádio Cachoeira do Sul - ZYF-4 - Coleção Emília Xavier Gaspary Precedido de quatro grandiosos bailes que se efetuaram nas principais entidades sociais cachoeirenses, o "Garden-Party" vem centralizando as atenções da cidade inteira, pois, assinalará o mais deslumbrante es

Cachoeira do Sul e seu rico patrimônio histórico-cultural

A história de Cachoeira do Sul, rica e longeva, afinal são 202 anos desde a sua emancipação político-administrativa, legou-nos um conjunto de bens que hoje são vistos como patrimônio histórico-cultural. Muito há ainda de testemunhos desta história que merecem a atenção pelo que representam como marcas dos diferentes ciclos históricos. Mas felizmente a comunidade e suas autoridades, desde 1981, pela criação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC, têm reconhecido e protegido muitas destas marcas históricas. Antes da existência do COMPAHC muitos e significativos bens foram perdidos, pois o município não dispunha de mecanismos nem legislação protetiva, tampouco de levantamento de seu patrimônio histórico-cultural. Assim, o Mercado Público, em 1957, e a Estação Ferroviária, em 1975, foram duas das maiores perdas, sendo estes dois bens seguidamente citados como omissões do poder público e da própria comunidade. Sempre importante lembrar que por ocasião do anúncio da