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Quem foi Gustavo Moritz?

A questão da liberdade de imprensa e a proibição do anonimato dos articulistas, determinadas pela primeira constituição republicana brasileira (1891) e abordadas na postagem "Jornal Rio Grande - não ao anonimato", levantaram uma dúvida: quem foi Gustavo Moritz, o gerente do jornal Rio Grande?

Graças ao pesquisador Coralio Bragança Pardo Cabeda, leitor assíduo do blog, a figura de Gustavo Moritz emergiu, revelando-se em imagem, dados biográficos e profissionais. Segundo Coralio Cabeda, ele "é o autor do raro Acontecimentos Políticos do Rio Grande do Sul, 89-90-91, cujo primeiro volume apareceu em 1939" e foi reeditado em 2005 através do Memorial do Ministério Público, contando com a valiosa colaboração da neta de Gustavo Moritz, Professora Maria Lúcia Rodrigues de Freitas Moritz.


Gustavo Moritz


Gustavo Moritz era natural de Florianópolis, nascido em 1878. O pesquisador Coralio acrescenta que tendo ele convivido com personagens participantes dos acontecimentos do pós-república, pôde acompanhá-los de perto. Como era ligado ao Partido Federalista, "interpretou-os à luz dessa visão, oposta à do Partido Republicano Rio-Grandense", conclui.

Interessante é que enquanto essas informações chegavam, foi localizada uma notícia no jornal O Commercio, edição de 6 de dezembro de 1939, comunicando aos leitores o recebimento  de um exemplar do livro de Gustavo Moritz, oferta do autor à redação:

Acontecimentos Politicos do Rio Grande do Sul 89-90-91

Sob este titulo recebemos do autor, o escriptor Gustavo Moritz, um bello e magnifico livro, que trata de assumptos relativos á situação da vida politica de nosso Estado, no decorrer dos agitados annos de 1889, 1890 e 1891.

Com documentos irretorquiveis e autorisados da época e com a facilidade com que o brilhante escriptor traça e commenta certos acontecimentos, este livro vem justa e necessariamente trazer á evidencia diversos factos que, por diversas circunstancias, permaneciam até ha pouco ignorados pelos contemporaneos.

Inspirado no desejo de revivescer e divulgar varios detalhes do movimento politico do Rio Grande, seu escriptor esboça, firmado em uma documentação robusta, - as multiplas situações, em que se viram envolvidos, tanto na desdita, na derrota, como na victoria de suas causas, os pró-homens mais em evidencia de todas as correntes partidarias dos seus ideaes, entre tantos, Silveira Martins, Pinheiro Machado, Julio de Castilhos, Borges de Medeiros, Assis Brasil, Fernando Abbot, Ramiro Barcellos, Appolinario Porto Alegre, Homero Baptista, Victorino Monteiro, Demetrio Ribeiro e tantos outros. 

O trabalho do escriptor Gustavo Moritz, traz vigorosas apreciações que se caracterisam pelos conceitos convincentes e meticulosos, do que resulta um aprofundado estudo sobre os acontecimentos em que se desencadearam em todas as actividades da vida politica da gleba gaucha.

Pela fineza da offerta, nos confessamos agradecidos, e, por intermedio de nossa folha manifestamos, sinceramente, a nossa admiração ao desprehendido escriptor que não relutou para dar uma expressiva opportunidade a que todos os contemporaneos poudessem se inteirar, com a revelação descriptiva do seu livro, de factos desconhecidos até então por quasi que a totalidade dos rio-grandenses. 

O Commercio - 6/12/1939, p. 1

A única informação que havia sobre Gustavo Moritz, além da gerência do jornal republicano, era o fato de que era casado com a cachoeirense Georgina Gomes, irmã do Dr. Jacintho Godoy Gomes. Os Godoy Gomes eram primos, pelo lado materno, de João Neves da Fontoura, grande nome do Partido Republicano em Cachoeira.

Interessante destacar como a História se faz de encaixes. A postagem sobre a proibição do anonimato na imprensa trouxe ao conhecimento o até então desconhecido Gustavo Moritz, permitindo que a divulgação do documento assinado por ele em 1905 o retirasse também do anonimato...

MR

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