terça-feira, 17 de dezembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Documento como suporte da memória

Na sexta-feira, dia 13 de dezembro de 2013, o Arquivo Histórico realizou uma atividade dentro da programação da Semana de Cachoeira, quando apresentou ao público presente em sua sede um painel intitulado "Documento como suporte da memória". 
Na ocasião, a chefe do Arquivo Histórico, pesquisadora Ione Maria Sanmartin Carlos, apresentou as atividades pertinentes à instituição, ressaltando que o seu embrião surgiu em 1910 pela ação de Affonso Aurelio Porto, da Seção de Estatística e Arquivo da Intendência Municipal, que organizou um livro intitulado Copiador, lançando nele todos os atos administrativos com significação ocorridos a partir do dia 5 de agosto de 1820, data da instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira. 

A chefe do AH apresentando o livro n.º 1 da Câmara

A seguir, a assessora Neiva Ester Corrêa Köhler instruiu o público sobre o Serviço de Arranjo, ou seja, a forma como a documentação é organizada, as rotinas da sua manutenção, os segredos que os documentos podem revelar, assim como as comprovações que deles advém. 

Assessora Neiva Köhler falando sobre o arranjo da documentação

Falaram ainda sobre as rotinas do Arquivo as assessoras Mirian Ritzel e Maria Lúcia Mór Castagnino, responsável pelo serviço de genealogia, despertando grande interesse entre os presentes.

Mirian Ritzel lendo documento que comprova fato histórico
Maria Lúcia M. Castagnino apresenta o serviço de genealogia
Considerada de muita valia para apresentar à comunidade o trabalho desenvolvido no Arquivo Histórico, bem como o importante papel que esta instituição desempenha na guarda, acondicionamento, organização e preservação dos documentos, verdadeiros suportes da memória, a atividade também logrou êxito por ter contado com a participação total de 21 pessoas.


Os participantes da atividade demonstraram real interesse pelo trabalho realizado no Arquivo Histórico e entenderam a importância da preservação da documentação, saindo sensibilizados pela preocupação de habilitar novos servidores capazes de darem sequência a tão importante tarefa.



Jussara Garske, da restauração, apresenta seu trabalho



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Arquivo Histórico pede auxílio à Câmara para restaurar livro

O Arquivo Histórico, depositário de importantes livros e documentos que contam a história político-administrativa do município de Cachoeira do Sul, está constantemente procedendo à recuperação de seu acervo documental, cujo suporte (papel) é naturalmente fragilizado pela passagem do tempo, pelo tipo de tinta que foi empregada na escrita ou por outros fatores que interferem na sua conservação.
Um dos mais fragilizados bens de seu acervo é o livro do Fundo Câmara Municipal que compreende o período histórico 1851 a 1861, justamente o que contém fatos memoráveis, como a chegada dos primeiros imigrantes alemães à Colônia Santo Ângleo (1857), a elevação de Cachoeira ao foro de Cidade (1859) e a eleição da primeira Câmara da Cidade da Cachoeira (1860).



Partes danificadas do livro de atas 1851 - 1861 - CM/OF/A-005
A recuperação do citado volume demanda trabalho especializado e material específico.
O vereador Marcelo  Figueiró, usuário constante dos serviços oferecidos pelo Arquivo Histórico e conhecedor das rotinas e necessidades do departamento, levou o pleito para a Câmara de Vereadores, sensibilizando-a a colaborar financeiramente com a empreitada.

Assessora Neiva Köhler apresenta o livro ao vereador
A direção e equipe do Arquivo Histórico aguardam pela decisão dos vereadores, entendendo que serão sensíveis ao apelo por entenderem a importância de preservar a história da sua terra.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Cariocas com raízes cachoeirenses visitam Arquivo Histórico

O Arquivo Histórico recebeu na quinta-feira, dia 14 de novembro, a visita de um grupo de cariocas com raízes cachoeirenses que vieram visitar a terra dos antepassados em busca de informações históricas e genealógicas.
São eles descendentes das famílias Lauer, Stringuini e Cruz Lima: Carlos Henrique da Cruz Lima, Sérgio Augusto de Lima e as esposas Martha Morato e Terezinha Maria Barcelos Esteves.
Em sua visita ao Arquivo, fizeram buscas nos jornais O Commercio e Rio Grande, década de 1910, consultaram outras publicações históricas, como o Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato, e conversaram com as pesquisadoras da instituição sobre fatos históricos ligados à sua família em Cachoeira do Sul.
Carlos Henrique da Cruz Lima, que incursiona na literatura, aproveitou a visita para presentear as servidoras do Arquivo Histórico com duas de suas últimas obras.
O Arquivo Histórico, como é da natureza de suas atribuições e de seu acervo, cumpriu, mais uma vez, seu papel além-fronteiras de Cachoeira do Sul.

Terezinha Esteves e Martha Morato

Carlos Henrique da Cruz Lima e Sérgio Augusto de Lima
conversam com a pesquisadora Ucha Mór

sexta-feira, 8 de novembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Grades do Cemitério - recortes da história que se preserva

A construção de um outro cemitério para Cachoeira ensejou muitas avaliações e estudos por parte da administração municipal, pois o Cemitério das Irmandades Conjuntas, inaugurado em 1833, já não dava conta dos sepultamentos, além de ser administrado pela Igreja Católica, limitando assim os serviços aos seguidores deste credo.
A decisão sobre o local de instalação do Cemitério Municipal, após análises feitas por uma comissão especialmente nomeada para este fim, recaiu sobre o Alto dos Loretos. Assim sendo, as obras tiveram  começo entre o final da década de 1880 e o início da de 1890. 
Farta documentação há no Arquivo Histórico detalhando todo o processo que envolveu a obra. Em um destes conjuntos documentais destaca-se um ofício de 19 de março de 1890 remetido à Junta Municipal pela Fabrica de Coffres de Ferro e Serralharia E. Berta, de Porto Alegre, famosa até os dias de hoje pela fabricação de cofres de aço, remetendo proposta e desenhos para fornecer ao Município 84 metros de grades de ferro, divididas em 21 partes iguais de 4 metros de comprimento, sendo cada parte constante de 25 varões de ferro redondo, espessura de 5/8 polegadas, com 1,20 metros de altura.

Ofício de E. Berta & Cia. oferecendo seus serviços em ferro

Chama a atenção, nestes dias de programas específicos de computação para elaboração de todo tipo de projeto, incluindo-se design de peças, os desenhos feitos a lápis que conservam preservados com nitidez os traços das grades que ainda podem ser avistadas nos muros do antigo Cemitério Municipal, cuja inauguração oficial se deu no ano de 1891.

Desenho das grades de ferro do Cemitério - projeto E. Berta & Cia.
Ponteiras das grades

Fonte: Fundo B: Junta Municipal/Série C: Obras e Melhoramentos/Subsérie 1: Dossiê do Cemitério/Caixa 1: 19/03/1890.



terça-feira, 22 de outubro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Professora Cândida Fortes Brandão

Outubro é o mês em que incide o dia de comemoração da nobre profissão de professor.
E falar da história da educação e consequentemente dos professores que desempenharam esta importante missão, impossível não recordar a figura da professora Cândida Fortes Brandão.
Farta é a documentação que refere o período de atuação da professora Cândida no acervo do Arquivo Histórico. Dentre estes documentos encontra-se uma carta enviada por ela ao Intendente Municipal, Dr. Balthazar de Bem, comunicando ter assumido as funções de diretora do recém-instalado Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura, a mais antiga escola pública de Cachoeira e até hoje formadora de cidadãos.
O documento data de 27 de março de 1915.
Transcrevemos um dos trechos da carta, revelador da veia literária da professora Cândida:

Esperando que vos digneis prestar, sempre que fôr mister, o vosso valioso concurso a esta instituição, sem cogitar de quem a dirige e nella collabora, d'antemão vos agradeço quanto pela mesma fizerdes, que será unicamente em beneficio do Povo. (Ass.) Candida Fortes Brandão Professora normalista.

Carta de próprio punho de Cândida F. Brandão - documento avulso



segunda-feira, 14 de outubro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Panorama da Educação X Trabalho do Professor

A educação no Rio Grande do Sul foi das mais tardias no Brasil. As longas lutas pelo estabelecimento de fronteiras que os riograndenses enfrentaram, relegaram a segundo plano investimentos em infraestrutura e principalmente em educação.
Em Cachoeira, a instituição da primeira aula pública data de 1821, mas o funcionamento efetivo ainda demoraria alguns anos.
A Câmara Municipal da Vila Nova de São João da Cachoeira nomeava regularmente comissões para inspecionar o andamento de serviços, dentre estes, a instrução pública.

CM/Grupo 2: Comissões/
Série A: Inspeção e Melhoramentos/Subsérie 2: Pareceres
Em 1833, a inspeção da comissão revelou que a Vila estava provida de uma aula de primeiras letras pelo método lencastriano, exercida pelo professor Manoel Alves Ribeiro, com 63 alunos, e número maior não podia atender devido às condições da casa onde funcionava. Apesar do professor cumprir com seus encargos, a comissão apontou a necessidade de uma "escola de gramática da Língua Nacional", ressaltando que o salário que lhe era pago, de 450.000 réis, deveria ser aumentado para 600.000, "não só porque aquele ordenado é diminuto na proporção de comodidades da vida, como a decência de seu exercício, e ainda mais por se achar onerado ao pagamento das casas cuja despesa deve ser suprida pela Fazenda Pública."
Outro documento produzido pela inspeção, datado de 10 de abril de 1878, dá uma excelente visão do andamento das lições ministradas aos alunos, então divididos em duas aulas públicas: uma do sexo masculino e outra do sexo feminino.

Câmara Municipal/Grupo 2: Comissões/
Série A: Inspeção e Melhoramentos/Subsérie 2: Pareceres

A aula pública do sexo masculino era regida pelo professor José Affonso Taborda e, no dia da inspeção, contava com 56 alunos, sendo 14 faltantes. A aula foi encontrada em ordem, sendo porém a sala bastante acanhada para o número de alunos e sem o necessário asseio "devido ao estado ruinoso da casa". O professor estava à procura de outra casa que melhor pudesse acomodar a aula. Dentre as carências, a comissão apontou a falta de papel para escrever. Nas matérias desenvolvidas, notou adiantamento dos alunos em doutrina, leitura em prosa e verso e aritmética. Em escrita, análise gramatical e geografia os alunos demonstraram atraso.
A aula pública do sexo feminino era regida pela professora D. Maria Luiza e ocupava uma sala com boas acomodações. A comissão assistiu à lição, observando que as alunas estavam adiantadas em escrituração, geografia da Província e leitura de verso, e pouco atrasadas em aritmética, análise gramatical e leitura de prosa, sendo que nesta "deixaram de ler com a virgulação necessária."
Como se depreende dos documentos encontrados, a escola pública há muito enfrenta problemas da mesma natureza, confirmando que o professor, mesmo desvalorizado, é o grande herói desta história.

Parabéns, professor, pelo transcurso de seu dia!


segunda-feira, 7 de outubro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Palestra: Criação literária - Assis Brasil

O Arquivo Histórico, associando-se às atividades da 29.ª Feira do Livro de Cachoeira do Sul, convida os interessados para participarem da palestra "Criação Literária", com o Secretário de Estado da Cultura, o escritor Luiz Antônio de Assis Brasil.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Escola Adventista visita o Arquivo Histórico

O Arquivo Histórico recebeu, na tarde do dia 10 de setembro, a visita dos alunos do 3.º ano da Escola Adventista, turma da professora Ana Márcia Finger da Rosa.

A professora Ana Márcia e a assessora Ione Rosa com os meninos do 3.º ano
As meninas da turma do 3.º ano

Os alunos foram guiados em sua visita pelas assessoras Ione Rosa, Jussara Garske e Neiva Köhler e tiveram a oportunidade de conhecer os diversos setores que compõem o Arquivo Histórico, bem como os propósitos que regem o trabalho de guardar, preservar, conservar e difundir a nossa história.

A assessora Ione Rosa apresentando a história do Mercado Público
A assessora Jussara Garske explicando a restauração de documentos


A assessora Neiva Köhler apresentando documentos do acervo

Durante a visita, os alunos puderam verificar o trabalho de pesquisa sobre a história do arroz que a professora Fabiane Lisboa está desenvolvendo no acervo de jornais do Arquivo Histórico.

Os alunos sendo informados pela professora Fabiane Lisboa
sobre a pesquisa que está procedendo no jornal O Comércio


terça-feira, 10 de setembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Liberato Vieira da Cunha visita o Arquivo Histório

Na manhã do dia 10 de setembro o Arquivo Histórico recebeu a visita do escritor cachoeirense Liberato Vieira da Cunha, que está na cidade para o lançamento de sua mais nova obra: "O silêncio do mundo".
Interessado na história de sua terra, Liberato foi logo querendo conhecer o acervo do Arquivo Histórico e enquanto era guiado nas dependências da instituição e apresentado às preciosidades nela contidas, ia rememorando histórias que ouvira em longas conversas com o Dr. Fritz Strohschoen.

O escritor Liberato Vieira da Cunha entre as assessoras do Arquivo Histórico

Com uma trajetória de trinta anos na literatura, Liberato estará lançando, em caráter nacional, a obra "O silêncio do mundo", às 18 horas, na Casa de Cultura que leva o nome de seu tio, Paulo Salzano Vieira da Cunha. A iniciativa do lançamento é da Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura - AMICUS, que neste ano está também completando 30 anos de trabalho em prol do engrandecimento da cultura de nossa terra.



sexta-feira, 6 de setembro de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Primeiros atos da Independência do Brasil

A Independência do Brasil, ato protagonizado por D. Pedro I em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, ensejou uma série de modificações na estrutura administrativa do país. 
José  Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência e patrono da nossa principal praça, a José Bonifácio, na condição de apoiador e braço direito do Príncipe Regente, encarregou-se de remeter às Câmaras Municipais instruções para a nova condição política e administrativa do Brasil.
No acervo do Arquivo Histórico há interessantes documentos que comprovam os primeiros atos pós-Independência, dentre os quais escolhemos os que se seguem:

Decreto impresso dando a composição das cores
do Tope Nacional Brasiliense - 18/9/1822
- CM/S/SE/CR-001 - 
Primeira bandeira do Brasil instituída após a Independência


Documento assinado por José Bonifácio de Andrada e Silva
e remetido à Vila Nova de São João da Cachoeira - 23/9/1822
- CM/S/SE/CR-001 -


Com a publicação destes documentos o Arquivo Histórico presta uma homenagem ao 191.º aniversário da Independência do Brasil.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Criados de salário mensal

Nos dias correntes, quando a sociedade brasileira alcança ajustes trabalhistas para os empregados domésticos, categoria que ainda não havia conquistado vantagens que outras já possuíam, é interessante observar as práticas que cercavam a contratação de serviços dos criados na Cachoeira do século XIX.
Há no acervo documental do Arquivo Histórico um encadernado do Fundo Câmara Municipal, intitulado Registro de Contratos de Criados (CM/S/SE/RCC-001), onde se pode tomar conhecimento dos tipos de criados, dos contratantes, ou patrões, dos serviços oferecidos e dos proventos a que faziam jus pelo cumprimento das tarefas próprias das suas funções, como "serviço de minha casa", "serviço de cozinha", "serviço de condução de malas do correio", "serviço doméstico", "serviço doméstico de cozinha e engomar", "serviço de cozinheiro", "serviço de aguadeiro", "serviço de vendedor de água" e outros mais do gênero. O referente livro foi aberto em 10 de janeiro de 1889 pelo presidente da Câmara, Francisco Gomes Porto.

CM/S/SE/RCC-001

Na abertura do livro consta o seguinte:
Registro de Contractos - de Criados - Este livro servirá para registro dos contractos, notas e observações dos Criados que tomarem, mediante salario mensal, emprego de cocheiro, copeiro, cosinheiro, criado de servir, ama de leite e ama secca, conforme a postura desta Camara approvada pela lei Provincial n.º 1706 de 13 de Dezembro de 1888. Todas as folhas são nunmeradas e por mim rubricadas com o appelido - Porto - de que uzo, e no fim contem o competente termo de encerramento. Paço da Camara Municipal da Cid.e da Cachoeira 10 de Janeiro de 1889. (Assinatura) O presidente, Francisco Gomes Porto.

Termo de Abertura do livro



sexta-feira, 16 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

São João, o patrono da Cachoeira

Há dentre os preciosos documentos do Arquivo Histórico do Município um encadernado (CM/S/SE/RE-001) da antiga Câmara Municipal que traz o registro das correspondências expedidas pelo escrivão e que remonta ao período da constituição da Vila Nova de São João da Cachoeira. Trata-se de carta dirigida a Sua Majestade D. João VI pela Câmara e remetida pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino em 26 de agosto de 1820.
O teor do documento dá o motivo pelo qual foi escolhido o nome da Vila Nova de São João da Cachoeira:

Senhor O Juiz pella Ordenação vereadores, e officiaes da Camara da Villa Nova de São João da Caxoeira, Prostrados humildemente aos Pés do Augusto Throno de Vossa Magestade Fidelicima tem a Honra de amnunciar que em execução das Reaes Ordens de Vossa Magestade, e Ouvidor e Corregedor desta Commarca Joaquim Bernardino de Senna Ribeiro da Costa no dia sinco do corrente mes de Agosto procedeu ao Acto Solemne da ereção desta Villa. = A Camara por si, em nome do Povo penetrada do mais vivo reconhecimento, egratidão pela Alta Mercê que Vossa Majestade Inclinando seus Reaes Ouvidos as Submissas e reverentes suplicas dos habitantes desta Villa, se dignou liberalizar roborando Sua Majestade esta Graça com aotra especial deDar a esta sua Villa por Patrono o Grande Santo do Seu Immortal Nome, rendem as homenagens de sua fiel vassalagem.

Retrato de D. João VI - Simplício Rodrigues de Sá
Imagem unicap-cursodeteologia.blogspot.com


A localização deste documento permite que afirmemos com real conhecimento de causa porque nosso Município foi agraciado com o nome de Vila Nova de SÃO JOÃO da Cachoeira.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

5 de agosto - instalação da Vila Nova de São João da Cachoeira e aniversário de criação do Arquivo Histórico

O dia 5 de agosto é muito importante para a história de Cachoeira do Sul. Nesse dia, há 193 anos, era solenizada a instalação do quinto município do Rio Grande do Sul, denominado como Vila Nova de São João da Cachoeira. Para o ato, protagonizado pelo Ouvidor Geral, Corregedor e Provedor da Comarca de São Pedro e Santa Catarina, Dr. Joaquim Bernardino de Sena Ribeiro da Costa, foram convidados o povo e os homens probos da Vila, cujas assinaturas ficaram registradas no livro n.º 1 da Câmara (CM/OF/TA-008).
Naquele dia, como reza a tradição portuguesa, foi levantado o Pelourinho e eleitos os primeiros vereadores: João Soeiro de Almeida e Castro (Presidente), Joaquim Gomes Pereira e Francisco José da Silva Moura. Também foram escolhidos o procurador da Câmara, Antônio Xavier da Silva, o Tesoureiro, Francisco de Loreto, o 1.º Tabelião e Escrivão da Câmara, Joaquim dos Santos Xavier Marmello, e o 2.º Tabelião e Escrivão dos Órfãos, Manoel Alves Ferrás.

Livro n.º 1 da Câmara com registro do Auto de Criação da Vila Nova de S. João da Cachoeira
- CM/OF/TA-008 - acervo do Arquivo Histórico
No mesmo dia 5 de agosto, no ano de 1987, escolhido para marcar a data magna de Cachoeira do Sul, foi criado o Arquivo Histórico do Município com o objetivo principal de guardar, preservar e disponibilizar para pesquisas o acervo documental produzido pelas administrações municipais desde a criação da Vila Nova de São João da Cachoeira. O Arquivo Histórico também guarda as coleções dos jornais locais, sendo depositário das edições do Jornal do Povo e jornal O Correio.
Há 26 anos o Arquivo Histórico presta relevantes serviços à comunidade cachoeirense, atendendo também a pesquisadores que vêm dos mais variados locais do Estado, pois Cachoeira foi berço de muitos municípios que se formaram em suas antigas dimensões geográficas.
Parabéns, Cachoeira do Sul! Parabéns, Arquivo Histórico!

Mapa da Província de S. Pedro do Rio Grande do Sul em 1822
- acervo Museu Municipal

sexta-feira, 2 de agosto de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Impostos sobre supérfluos na Intendência de Cachoeira

Com o pomposo nome de "impostos sumptuários", uma página do livro etiquetado com a inscrição "Receita", do conjunto de documentos da antiga Intendência Municipal da Cachoeira, registra os comerciantes que em 1893 pagavam impostos pelo oferecimento de produtos e serviços relativos ao luxo, ou seja, supérfluos. Estavam, dentre estes serviços, a venda de bilhetes, apresentações artísticas e a exploração de bilhares.


Lançamento dos impostos sumptuários -
Livro IM/CO/DRD/RD-001

Os cidadãos que pagaram esses impostos aos cofres da Intendência em 1893 foram:
- Pedro Martins Lopes, por dois bilhares
- Felicio de Mello, pela venda de bilhetes da loteria do Estado
- Isidoro Neves da Fontoura, pela casa onde vende bilhetes da loteria do Estado
- João Silva, pelos seus dois bilhares
- Ismael Alves d'Almeida, por vender bilhetes da loteria do Estado e outros
- Melchiades Francisco da Silva, pela venda de bilhetes do Estado
- João da Matta, pela venda de bilhetes do Estado e outros
- Falconiére & Guastavino, imposto por um espetáculo
- Francisco Negroni, por três espetáculos da Companhia Falconiére
Os impostos sumptuários renderam à Intendência, naquele ano, a cifra de 285.000 réis.

sexta-feira, 12 de julho de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Isolamento de doente

Uma interessante carta remetida ao Presidente e Vereadores da Câmara Municipal da Cachoeira pelo Delegado de Polícia Hilario José de Barcellos, datada de 21 de maio de 1874, nos fornece elementos para compreender a profilaxia das doenças contagiosas em meados do século XIX. 
A carta fala do caso de um menino que adquiriu bexigas, ou varíola, e que  foi isolado pela autoridade policial a fim de evitar o contágio da doença em outras pessoas. 
O delegado diz na carta:

Cumpre-me levar ao conhecimento a Vv.Ss.ªs que aparecendo um caso de bexigas em um menino, e convindo evitar que se desinvolva a epedimia, e em vista do Art.º 116 das posturas Municipaes, resolvi esolar o bexigento, allugando p.ª isso a chacara de D. Senhorinha de Carvalho Ilha, justando tambem uma peçôa p.ª ajudar a cuidar no enfermo, allugando a M.el Homem d'Oliveira carroças p.ª transportar o bexigento, trastes e viveres, e obrigando-me a que o medico fosse ver o enfermo as vezes necessarias, e fornecendo remedios, dieta, e alimento para as pessôas que forão cuidar no menino.

Como se vê, a profilaxia do isolamento era uma das medidas ao alcance da medicina do século XIX em casos de doenças contagiosas. Em tempos de combate à gripe A, mesmo com todos os avanços da medicina, a recomendação de evitar aglomeração de pessoas não deixa de ser medida semelhante à do isolamento que se via no passado.

 Câmara Municipal/Grupo 1: Secretaria/Série A: Serviço de Expediente/Caixa 11


sexta-feira, 28 de junho de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Fábrica de Cerveja e Gasosa de Franz Rother

A apreciação e consumo da cerveja é um dos traços marcantes da cultura alemã. E em Cachoeira não foi diferente quando os primeiros alemães aqui se estabeleceram, vindos da Colônia Santo Ângelo. Logo deram jeito de providenciar a fabricação da bebida tão apreciada, surgindo a Cervejaria Deutsch Bier Brauerei, de Rodolfo Homrich, a Cervejaria Moderna, de Augusto Trommer, e a Fábrica de Cerveja de Pedro Port & Cia. A Rua Sete de Setembro era pontilhada de chaminés das fábricas de cerveja.

Rua 7 de Setembro, vendo-se as chaminés das cervejarias ao fundo
- fototeca do Museu Municipal

Um dos pioneiros na produção de cerveja na cidade foi Franz Rother. No ano de 1901, quando foi realizada em Porto Alegre a Exposição Estadual, evento que apresentava os principais produtos da economia rio-grandense de então, a FÁBRICA DE CERVEJA E GASOSA, nome do estabelecimento de Franz Rother, obteve a medalha de bronze. Por conta desta distinção, o proprietário divulgava no jornal O Commercio, em sucessivas edições do segundo semestre de 1901, "a excelente cerveja dupla, branca, marca MAÇÔNICA". Produzia também cerveja simples, branca e preta, assim como gasosa e água mineral. 

Anúncio publicado n'O Commercio, outubro de 1901

segunda-feira, 17 de junho de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

"Viagem em bicycleta"

A edição do jornal O Commercio, de 28 de agosto de 1901, traz a interessante notícia sobre viagem  protagonizada por dois cidadãos da Cachoeira, apreciadores, como os atuais membros do Cicloativado, do bom e saudável uso das bicicletas:

Já se acham de regresso a esta cidade os srs. Pedro Baptista e Hygino Livi que a 19 do corrente, ás 12 horas do dia, dirigiram-se em bicycleta d'qui ás minas de cóbre de Camaquam.
Os valentes excursionistas, na ida e volta, percorreram em cinco dias 312.600 kilometros ou sejam 47 leguas e 2.400 metros, tendo em sua viagem de enfrentar mil difficuldades, taes como o mau tempo reinante, chuvas e ventos contrarios e as pessimas condições em que, como consequencia encontraram as estradas.
Foi o seguinte o seu itinerario:
De Cachoeira ao Seringa,  metros 4.800
A Feliciano Prates                    "        8.500
A Fidelis Prates                         "     14.800
Ao posto de Fidelis                   "     24.800
A João Carvalho                      "     35.850
A Candido G. Borges              "     64.750
A Sebastião Alves                    "     77.000
A Lourenço Guidugli              "     97.000
As minas de Camaquam         "   143.000
Regressando das minas,
A Boa Vista                              "    170.400
A David Guidugli                   "    176.000
A Caçapava                            "    207.400
A Estancia Velha                  "     242.000
Ao Barro Vermelho              "     275.500
A Cachoeira                          "    312.600
Essas distancias foram precisamente marcadas nos cyclometros das machinas Monarch e Adler que montavam os dous arrojados cyclistas.

Folder da Bicleta Adler - 1895 - Google

Folder da Bicicleta Monarch - Google

sábado, 15 de junho de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Doutores...

Nos tempos em que a medicina era genérica, ou generalista, encontrar profissionais especializados era uma raridade, especialmente nas cidades pequenas.
Os médicos disponíveis tinham que dar conta de todas as mazelas da população, atendendo desde dores de dente até partos e cirurgias. Mas vez em quando aportavam na cidade, apregoando suas especialidades, doutores em dentes, ouvidos, olhos. Propagandeavam suas habilidades no boca-a-boca e na imprensa. 
O jornal O Commercio (1900-1966), cuja coleção está guardada no Arquivo Histórico, traz inúmeros anúncios desses profissionais. Alguns deles acabaram estabelecendo residência e consultório, criando vínculos com a cidade. Outros apenas passaram por aqui, atendendo necessidades da população. Eis um dos anúncios reproduzidos da edição d'O Commercio do dia 16 de maio de 1917, em que o Doutor Padrós de Gaona, oculista, oferecia tratamento oftalmológico moderno e também a seleção de lentes pelo optometrista Dr. B. Pericas. Hospedados no Hotel do Comércio, anunciavam a permanência na cidade por apenas 30 dias.
Atenderam muitos pacientes? Foram bem-sucedidos? A julgar pela bem elaborada propaganda, considerando-se a época, e pela terminologia empregada, devem ter granjeado farta clientela!


Edição de O Commercio - acervo de jornais do Arquivo Histórico

terça-feira, 4 de junho de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Moradores da comunidade São Miguel - 1922

Um abaixo-assinado remetido à Comissão Executiva do Partido Republicano de Cachoeira, em 24 de fevereiro de 1922, além de nos dar ideia da força da política partidária naqueles tempos, é excelente documento para levantamento dos moradores da comunidade de São Miguel, próximo de Restinga Seca, à época ainda distritos de Cachoeira. Os moradores de São Miguel comprometiam-se, ao assinarem o documento, a votar nos candidatos recomendados pelo "benemérito chefe do Partido Republicano Dr. Borges de Medeiros". O candidato apoiado por Borges, e consequentemente pelos moradores da localidade, era o Dr. Annibal Lopes Loureiro, que havia "prometido satisfazer as nossas justas aspirações".
Assinaram o documento:
- Ernesto Rossi
- Antonio Bolzan
- Eugenio Dotto
- Celeste Cantarelli
- Raphael Cantarelli
- Alexandre Albino Dotto
- João Rossi
- Pedro Mozzaquatro
- José Mozzaquatro
- Carlo Cirolini
- Jacob Mozzaquatro
- Luis Bolzan
- Francisco Cantarelli
- Januario Alves Faria
- Angelo Rossi
- José Cirolini
- Carlos Bolzan
- David Cantarelli
- João Busanello
- Francisco Bolzan
- Valentim Busanello
- Mariano Dotto
- Antonio Dotto
- Pedro Daniel
- Augusto Burin
- Antonio Baldissera
- Estachio Nunes
- Angelo Marin
- Augusto Noro
- João Dotto
- Valentino Pozzati
- Pedro Bolzan
- Angelo Cerolin
- Domingos Moro
- Bizomin Cerolin
- Benjamin Sbicigo [sic]
- João Bolzan
- Augusto Mozzaquatro
- José Bolzan
- David Dotto
- Angelo Dotto
- Antonio Druzian
- João Baldissera
- Silvio Juliani
- Candido Marcuzzo
- Achylles Dalforno
- David Felin
- Pedro João Venturini
- Alfredo Dalmaso
- Joze Casasola
- Luis Agostinho Zago
- Valentim Brodoni
- Antonio Beviaqua [sic]
- Federico Lovato
- Antonio Taschetto
- Alessandro Nogara
- Angelo Noro
- Angelo Geremia Lovato
- Luiz Taschetto
- João Zavareis
- Paulino Bertoluzzi
- Emilio Marin
- Antonio Bolzan
- Antonio Pozztti [sic]
- Pedro Pivetta
- João Forgiarini

Eleições - documento avulso

Assim como há o documento acima referido no acervo documental do Arquivo Histórico, existem vários relativos a eleições de distritos que pertenceram a Cachoeira e a outros municípios, constantes de relações de eleitores. Dentre eles: Colônia Nova Berlim da Forqueta, Colônia Encantado e Picada Eckert, todos pertencentes então a Lajeado; Vila de São Jerônimo, Vila de Santo Amaro, Triunfo, Taquari, Costa do Sutil, distrito de São João Batista de Camaquã, Encruzilhada e Freguesia de Candelária, então distrito de Rio Pardo. Toda esta documentação está à disposição dos pesquisadores.
sexta-feira, 17 de maio de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

Histórias do tempo da escravatura

No último dia 13 de maio transcorreram os 124 anos da abolição da escravatura, oficializando o fim de um período triste da história do país. 
Em Cachoeira, segundo o historiador Aurélio Porto, a libertação dos escravos já vinha sendo feita de forma sistemática, de modo que em 1889 a população cativa estava bastante reduzida.
Há no acervo documental do Arquivo Histórico muitas provas do período escravagista, como a carta de venda da escrava Maria, datada de 6 de fevereiro de 1814, que remonta ao tempo em que ainda Cachoeira era uma freguesia subordinada a Rio Pardo. 
A escrava Maria, de nação Benguela, tinha treze anos e foi vendida por Floriano Joze Severo ao Vigário da  Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira, Ignacio Francisco Xavier dos Santos, pela quantia de 179.200 réis.
Como se vê, escravos eram bens adquiridos por qualquer cidadão, inclusive os do clero.

Documento avulso - Justiça



sábado, 4 de maio de 2013 | By: Arquivo Histórico de Cachoeira do Sul

A iluminação pública e o acendedor de lampiões

Iluminar as vias públicas era tarefa trabalhosa antes do advento da eletricidade e um profissional era muito importante nessa atividade: o acendedor de lampiões.
Quando a noite caía sobre Cachoeira, aqui também esse profissional entrava em cena, produzindo o milagre de clarear um pouco as ruas escuras, distribuindo pelos postes existentes a chama que servia de guia para os transeuntes que se aventuravam em passeios noturnos.
Em 1881, a Câmara Municipal, responsável pela administração, organização e disciplinamento da vida na cidade da Cachoeira, recebeu do governo da Província a doação de 40 lampiões e os respectivos pertences: duas latas de conduzir querosene, que era o combustível utilizado; dois funis e duas escadas.

Acendedor de lampiões com escada e querosene
- imagem: www.revistadehistoria.com.br
A fim de desempenhar sua importante função, o acendedor saía pelas ruas carregando a escada e o querosene. Sua rotina era percorrer as ruas, dirigindo-se aos lampiões de forma a acendê-los um a um. O serviço começava ao entardecer e somente era concluído já com noite alta. No outro dia, ao amanhecer, lá se ia o acendedor de lampiões conferir se havia algum poste que conservava a chama do lampião acesa, apagando-a. 
A profissão de acendedor de lampiões faz parte do passado, como tantas outras que cederam ao avanço da tecnologia, mas ainda podem ser dimensionadas em sua importância graças aos documentos e registros históricos que delas ficaram.
Lampião à esquerda do Paço Municipal
- fototeca do Museu Municipal
Lampião em prédio da Rua Sete de Setembro
- fototeca do Museu Municipal
Documento do acervo do Arquivo Histórico
- CM/S/SE/CR-007